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MPF pede ao STJ condenação de Ari Moutinho Junior por chamar Yara Lins de “vadia, safada, traída e puta”

Segundo o Código Penal, a pena estabelecida por injúria é de 1 a 6 meses de detenção ou multa, que pode ser acrescida em um terço se for cometida contra funcionário público no exercício das funções ou presidentes do Senado,...

MPF pede ao STJ condenação de Ari Moutinho Junior por chamar Yara Lins de “vadia, safada, traída e puta”

Conforme destacou o MPF, além dos xingamentos, o conselheiro teria insinuado que prejudicaria a vítima por meio da Procuradoria-Geral da República (PGR). ”Eu vou te fuder com a Lindora no STJ”, teria dito em referência à ex-vice-procuradora-geral da República Lindora Araújo que, hoje, atua na Corte.

O Ministério Público Federal (MPF) defendeu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a condenação do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), Ari Jorge Moutinho da Costa Junior, por injúria. Moutinho Junior é acusado de xingar a presidente da Corte estadual, Yara Amazônia Lins, de “puta”, “safada”, “vadia” e “traíra”.

Segundo o MPF, as investigações comprovaram as ofensas e a autoria dos atos, além de danos à dignidade e ao decoro. O documento em sigilo, obtido pela coluna Tácio Lorram, do Metrópoles, foi assinado pela subprocuradora-geral da República Luiza Cristina Fonseca Frischeisen na quinta-feira (28/8).

Ainda conforme a denúncia, o acervo probatório é robusto e demonstra que o Moutinho Junior adiu com a vontade livre e consciente (dolo), injuriou a vítima, provocando em Yara Amazônia Lins Rodrigues danos a sua dignidade e seu decoro.

“Restaram demonstradas, de forma inequívoca, a ocorrência das ofensas, a autoria e o dolo, de modo a fundamentar a procedência dos pedidos deduzidos na denúncia”, diz o MPF.

Conforme destacou o MPF, além dos xingamentos, o conselheiro teria insinuado que prejudicaria a vítima por meio da Procuradoria-Geral da República (PGR). ”Eu vou te fuder com a Lindora no STJ”, teria dito em referência à ex-vice-procuradora-geral da República Lindora Araújo que, hoje, atua na Corte.

Na defesa, Moutinho afirmou que as acusações são “absolutamente falsas, inverídicas”, inclusive a fala sobre Lindora. Além disso, alegou problemas de saúde e motivação política como justificativas.

O caso teria ocorrido quando a conselheira ainda era candidata à presidência do TCE-AM durante a sessão que escolheria o vencedor, em outubro de 2023. Lins avaliou, em comunicação feita na Delegacia-Geral de Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que seria uma tentativa de tumultuar a eleição.

Segundo a coluna, a Corte Especial do STJ recebeu a denúncia contra Moutinho em dezembro passado, acolhendo o posicionamento do MPF. Com a decisão, o conselheiro se tornou réu. No julgamento, os ministros seguiram o voto do relator, Antonio Carlos Ferreira, de forma unânime.

“(Os eventos) não ocorreram isoladamente, mas dentro do contexto maior de disputas políticas e tensões pessoais dentro do tribunal”, disse Antônio Carlos Ferreira durante a sessão.

O MPF avaliou que as ofensas do conselheiro debilitaram a presidente. “Os indícios denunciam que o denunciado [Ari Moutinho] agiu com a vontade livre e consciente de ofender o decoro da vítima, configurando os elementos típicos de injúria”, diz a denúncia.

Segundo o Código Penal, a pena estabelecida por injúria é de 1 a 6 meses de detenção ou multa, que pode ser acrescida em um terço se for cometida contra funcionário público no exercício das funções ou presidentes do Senado, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal (STF). A punição máxima, portanto, é de 8 meses ou multa.

Sobre Ari Moutinho Junior

Conselheiro do TCE-AM desde 2008, Moutinho foi deputado federal, secretário de Estado de Governo do Amazonas e vereador de Manaus. Foi indicado ao cargo pelo então governador do estado, Eduardo Braga (MDB-AM), atual senador.

À época, a nomeação dele recebeu críticas pelo fato de Moutinho ter sido um dos 44 denunciados na Operação Albatroz da Polícia Federal (PF) em 2006.

A investigação se deu em torno de suspeita de formação de quadrilha em um suposto esquema de desvio de verbas de licitações do governo. O conselheiro negou envolvimento na ocasião.

É filho do desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) Ari Jorge Moutinho da Costa, que presidiu a Corte de 2012 a 2014 e o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) de 2008 a 2010.

Moutinho chegou a ser afastado do cargo, em outubro de 2023, em razão das denúncias ao MPF. No dia seguinte, o TJAM determinou o retorno do conselheiro ao TCE-AM.

Em novembro de 2023, o tribunal de contas estadual decidiu arquivar o processo que investigava Moutinho, sob a alegação de que não houve indícios de autoria ou prova inequívoca da materialidade.