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Lula revoga criação de 5,9 mil vagas de medicina em faculdades privadas

O edital buscava selecionar propostas de instituições privadas para abertura de graduações em locais definidos pelo governo, com critérios voltados ao atendimento do SUS.

Lula revoga criação de 5,9 mil vagas de medicina em faculdades privadas

revogação ocorre após a divulgação da primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), que apontou problemas de qualidade na formação, sobretudo em escolas privadas.

O governo Lula (PT) revogou o edital que previa a criação de até 5.900 novas vagas em cursos de medicina em instituições privadas. O chamamento, lançado em outubro de 2023 no âmbito do Programa Mais Médicos, já havia sido adiado quatro vezes. A decisão foi publicada pelo Ministério da Educação (MEC) em edição extra do Diário Oficial da União na noite de terça-feira (10).

O edital buscava selecionar propostas de instituições privadas para abertura de graduações em locais definidos pelo governo, com critérios voltados ao atendimento do SUS. A revogação ocorre após a divulgação da primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), que apontou problemas de qualidade na formação, sobretudo em escolas privadas.

Em nota, o MEC afirmou que “a decisão tem caráter técnico e decorre da necessidade de avaliar os impactos de uma série de eventos que alteraram de forma substancial o cenário fático-normativo que fundamentou a edição e a validade do Edital”, citando a expansão de cursos e vagas impulsionada pela judicialização.

A pasta acrescentou que o Enamed e as novas diretrizes curriculares “revelam alteração significativa do contexto fático, social e regulatório no qual se insere a política de formação médica no País, reforçando a centralidade da qualidade da oferta e da adequação da formação às necessidades do SUS”.

Segundo o ministério, não serão afetados processos já em andamento, inclusive aqueles amparados por decisões do STF em pedidos judicializados. Graduações que já obtiveram autorização por decisão judicial também não sofrerão impacto.

A abertura de novos cursos havia sido suspensa em 2018, no fim do governo Michel Temer, com embargo de cinco anos. Mesmo assim, instituições privadas conseguiram autorizações via Justiça, o que ampliou a oferta. Em menos de dois anos, 77 novos cursos foram aprovados, totalizando 4.412 vagas até outubro do ano passado, expansão criticada por pesquisadores da USP.

O Enamed reforçou o debate sobre a qualidade. Na primeira edição, 99 cursos poderão ser punidos por não atingirem desempenho mínimo. Essas graduações são oferecidas por 93 instituições federais e privadas e não conseguiram que 60% dos concluintes alcançassem proficiência mínima. O grupo representa um terço dos 304 cursos regulados pelo MEC que participaram do exame.

Servidores da pasta avaliam que o volume de vagas criadas por decisões judiciais e o resultado do Enamed pesaram para a decisão. Não há prazo para eventual retomada do edital, e o MEC deve reformular a política de expansão. A medida tende a beneficiar instituições que já oferecem medicina, segmento considerado estratégico para grandes grupos educacionais.