
O evento reuniu militantes, dirigentes políticos, parlamentares e simpatizantes do kirchnerismo em uma das principais demonstrações de apoio à ex-presidente desde sua condenação
Milhares de pessoas participaram neste sábado (21) de um ato no Parque Lezama, em Buenos Aires, em apoio à ex-presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner, que completa um ano de detenção sob restrições judiciais. Durante a mobilização, marcada também pelo Dia da Bandeira na Argentina, o deputado Máximo Kirchner foi o único orador e defendeu publicamente uma nova candidatura da líder peronista. As informações foram publicadas pelo jornal argentino Página/12.
O evento reuniu militantes, dirigentes políticos, parlamentares e simpatizantes do kirchnerismo em uma das principais demonstrações de apoio à ex-presidente desde sua condenação. Embora houvesse expectativa entre os participantes por uma manifestação de Cristina Kirchner, ela não discursou. Coube a seu filho conduzir a mensagem política do encontro, centrada na defesa de sua liberdade, na situação econômica do país e nos rumos do peronismo.
Desde o início da tarde, milhares de pessoas ocuparam o anfiteatro e os arredores do Parque Lezama, local que se consolidou nos últimos anos como um símbolo das mobilizações ligadas ao kirchnerismo. O espaço já havia sediado manifestações em defesa de Cristina Kirchner após o avanço dos processos judiciais contra a ex-presidente.
Diversas lideranças políticas compareceram ao evento. Entre elas estavam os prefeitos Mayra Mendoza, Federico Otermín, Mariel Fernández e Federico Achával, além de dirigentes como Juan Grabois, Guillermo Moreno e Jorge Capitanich. A mobilização também serviu para reafirmar a campanha pela libertação da ex-presidente e denunciar o que seus apoiadores classificam como perseguição judicial.
Segundo os organizadores, as atividades promovidas ao longo da semana tiveram como foco denunciar a atuação do Poder Judiciário argentino. Parlamentares peronistas acusaram setores da Justiça de promover uma proscrição política contra Cristina Kirchner e de comprometer o funcionamento pleno da democracia no país.
A deputada nacional Paula Penacca afirmou ao Página/12 que o movimento continuará defendendo a libertação da ex-presidente. “Seguimos demandando la libertad de CFK y que vuelva la democracia plena a la Argentina, una democracia sin proscripción. Somos muchos y muchas los que estamos convencidos de que ella es la alternativa para enderezar al peronismo y, sobre todo, para volver a poner de pie a la Argentina”, declarou.
Paralelamente às mobilizações nacionais, apoiadores da ex-presidente impulsionam uma campanha internacional destinada a levar o caso a tribunais internacionais, buscando ampliar a visibilidade da situação jurídica de Cristina Kirchner.
Durante o discurso, Máximo Kirchner dedicou parte significativa de sua fala aos debates internos do peronismo. Sem citar diretamente determinados dirigentes, fez um apelo por unidade, mas destacou que ela deve ser construída com base em compromissos concretos.
“Nadie más que nosotras y nosotros quiere la unidad del campo nacional y popular en la Argentina. Los que todo el día hablan de hacer la unidad ni siquiera son capaces de ir a verla a San José para decirle: ‘Compañera, ¿cómo está? ¿Necesita algo?’ Esa es la verdad”, afirmou.
O deputado também declarou que o peronismo deve encarar coletivamente os desafios políticos e eleitorais do país. “Nos debemos un momento de reflexión. De entender cuáles son los desafíos que nuestro pueblo nos manda. No es un desafío personal la práctica política y militante. Es un desafío colectivo”, disse.
“¿De qué te sirve el equilibrio fiscal en la Argentina si los hospitales se te caen a pedazos? En la Argentina lo que tiene que volver a haber es justicia fiscal para que haya equilibrio social. Los que más tienen, más ponen. Será imposible, si no construir una patria que brinde oportunidades”, afirmou.
Em seguida, reforçou que a atuação política deve estar voltada para as necessidades da população. “Si nuestra gente no es prioridad, ¿para qué carajos nos presentamos a elecciones?”, questionou.
Na parte final do discurso, Máximo Kirchner relembrou medidas adotadas durante os governos de Cristina Fernández de Kirchner, destacando a recuperação das administradoras privadas de aposentadoria, da Aerolíneas Argentinas, da YPF e o desenvolvimento de Vaca Muerta.
“Recuperó las AFJP para los argentinos y las argentinas, recuperó Aerolíneas Argentinas, YPF y Vaca Muerta, y se le paró de manos a los fondos buitres. Ese día, Cristina sabía cuál era su destino y aun así no la pudieron doblegar”, declarou.
O dirigente também transmitiu uma mensagem da ex-presidente aos apoiadores presentes. “Miren, ustedes no saben, ni imaginan, la alegría que le da cuando ustedes la van a ver. No saben ni imaginan cómo disfruta cada bocina que llega desde la calle, una mañana, una tarde o una noche”, afirmou.
Após o encerramento do ato, parte dos manifestantes seguiu para a residência de Cristina Kirchner, localizada no bairro de Constitución. Do lado de fora do imóvel, os participantes realizaram uma nova demonstração de apoio. A ex-presidente apareceu na sacada e respondeu aos presentes acenando com as cores da bandeira argentina.
O senador Jorge Capitanich avaliou que o pronunciamento de Máximo Kirchner “marcó un sendero para construir la unidad del campo popular sin resignarse a un posibilismo entreguista”. Já a deputada Teresa García afirmou que “el discurso fue ejemplificador, de fuerte contenido peronista, diciendo lo que hay que decir sin esconderse debajo de una baldosa”.





