
O apoio nordestino também ajuda a explicar a liderança nacional de Lula no primeiro turno, em que ele aparece com 41% contra 31% de Flávio Bolsonaro.
A nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20) mostra que a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial de 2026 é sustentada por segmentos estratégicos do eleitorado, como Nordeste, mulheres, donas de casa, estudantes, eleitores mais pobres, pretos, homossexuais e bissexuais.
O levantamento, publicado pela Folha de S.Paulo, ouviu 2.004 eleitores em 139 cidades nos dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09956/2026.
O Datafolha mostra que Lula chega a 61% das intenções de voto no Nordeste, região que historicamente desempenha papel decisivo em suas vitórias eleitorais. O resultado reforça a força do presidente entre os eleitores nordestinos e confirma a região como um dos principais pilares de sua base política.
A vantagem no Nordeste se soma ao bom desempenho de Lula entre os mais pobres e os menos escolarizados. Esses segmentos têm sido centrais na trajetória política do presidente e continuam demonstrando forte identificação com seu projeto.
Entre mulheres, Lula também apresenta desempenho expressivo. Em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o presidente marca 52%, enquanto o senador registra 37%.
A diferença de 15 pontos mostra uma dificuldade importante para o campo bolsonarista. O próprio desempenho mais fraco entre mulheres explica a busca de Flávio por uma vice mulher, em tentativa de reduzir sua rejeição e melhorar sua imagem nesse segmento.
Para Lula, o resultado reforça uma vantagem estratégica. O voto feminino tende a ter peso decisivo em disputas nacionais e, no cenário medido pelo Datafolha, o presidente aparece em posição claramente superior.
O Datafolha também mostra vantagem de Lula entre donas de casa. Nesse grupo, o presidente tem 56%, contra 38% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno.
Entre estudantes, a diferença também é expressiva: Lula registra 55%, enquanto Flávio aparece com 38%. Os dados revelam que o presidente mantém força tanto em segmentos populares quanto entre parcelas do eleitorado jovem e em formação.
Esses recortes ajudam a sustentar a dianteira nacional de Lula e indicam que sua candidatura conserva apelo em grupos sensíveis a temas como educação, direitos sociais, renda, inclusão e democracia.
Além do Nordeste, das mulheres, das donas de casa e dos estudantes, Lula tem melhor desempenho entre os eleitores mais pobres, menos escolarizados, pretos, homossexuais e bissexuais.
A força nesses grupos também compensa o melhor desempenho de Flávio Bolsonaro entre empresários, eleitores de maior renda, evangélicos, brancos e moradores do Sul.
O Datafolha registra que Flávio Bolsonaro tem desempenho superior entre empresários, segmento no qual alcança 69%, contra 25% de Lula. O senador também se sai melhor entre eleitores de maior renda, evangélicos, brancos e chega a 54% no Sul.
Esses dados indicam que a disputa eleitoral mantém clivagens sociais, regionais e ideológicas bem definidas. Lula concentra maior apoio entre segmentos populares e grupos sociais historicamente ligados à defesa de direitos, enquanto Flávio se fortalece entre setores conservadores e de renda mais alta.
Ainda assim, no conjunto do eleitorado, a vantagem é do presidente. Lula lidera o primeiro turno por dez pontos e vence todas as simulações de segundo turno testadas.
A força de Lula em segmentos decisivos é um dos fatores que explicam sua competitividade nacional. O presidente aparece com 41% no primeiro turno e venceria Flávio Bolsonaro por 47% a 43% no segundo.
Contra Ronaldo Caiado, Lula teria 47% a 41%. Contra Romeu Zema, venceria por 48% a 39%. Em todos os cenários testados, o presidente mantém vantagem.
O Datafolha mostra que essa liderança não depende apenas da rejeição aos adversários, mas também de uma base social consistente. Nordeste, mulheres, donas de casa, estudantes e eleitores de menor renda formam o núcleo que sustenta a dianteira de Lula no momento.
A pesquisa é um retrato do momento, mas seus recortes revelam tendências importantes da disputa presidencial de 2026. Lula lidera nacionalmente e mantém desempenho forte nos grupos que podem decidir a eleição.
A vantagem entre mulheres, estudantes, donas de casa e nordestinos indica que o presidente conserva uma coalizão eleitoral ampla. Ao mesmo tempo, a dificuldade de Flávio Bolsonaro nesses segmentos mostra os limites de expansão do bolsonarismo para além de sua base tradicional.
No cenário atual, o Datafolha confirma que a liderança de Lula é sustentada por bases sociais sólidas e por uma presença nacional que segue decisiva na política brasileira.






