
Os eleitores de Cepeda temem pelas medidas do candidato que sente afinidade com Milei, da Argentina, e Bukele, de El Salvador, e que recebeu apoio de Trump e de Flávio Bolsonaro.
Quase 40 milhões de eleitores podem votar na histórica eleição deste domingo, que definirá o rumo da Colômbia entre dois candidatos completamente opostos. Até o início da semana, três pesquisas apontavam vitória folgada do candidato da extrema-direita Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores da Pátria. O levantamento da Guarumo Ecoanalítica, encomendada pelo jornal El Tiempo, apontava que ‘O Tigre’, como ele gosta de ser chamado, contava com 52,6% das intenções de voto e Iván Cepeda, do Pacto Democrático, 45%. Outras pesquisas, como a do CNC, indicavam vantagem de cerca de 4% para o radical de direita. Mas quando faltavam poucas horas para a abertura das urnas, surgiam rumores em âmbitos políticos sobre o crescimento de Cepeda e a queda de Abelardo (como o presidenciável da extrema-direita também é identificado). Tudo pode acontecer quando as urnas forem abertas.
A votação começa às 8 horas da manhã (10 horas em Brasília) e termina às 16 horas (18 horas em Brasília). A expectativa é que os colombianos saibam quem será o novo presidente até às 19 horas (21 horas em Brasília) deste domingo.
Seus planos incluem ‘mão de ferro’ contra o crime, o que preocupa setores da esquerda e do centro do país. “Votei em Cepeda no primeiro turno e estou tentando convencer minha esposa a votar nele neste domingo. No primeiro turno, ela votou em branco. Mas agora é decisivo e não podemos querer um governo que vai demitir funcionários públicos e reduzir o Estado”, disse um motorista de aplicativo na noite de sábado. Abelardo se inspira no cardápio da motosserra de arrocho Milei, o que preocupa os que concordam na maior presença do Estado na vida das pessoas.
“Não gosto do jeito, do estilo do Abelardo. Mas também não quero o continuísmo de Petro. Meu medo é que haja uma reação popular, caso Abelardo seja eleito”, disse uma eleitora de classe alta em uma conversa informal. Petro, presidente do país, não reconheceu o resultado do primeiro turno e apontou a possibilidade de fraudes. O presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) descartou que possam ocorrer irregularidades, dizendo que cada sessão eleitoral terá fiscais dos dois candidatos, além de observadores internacionais. Cepeda, ao contrário de Petro, aceitou o resultado do primeiro turno. Mas o segundo turno é sempre uma nova eleição.
E se Abelardo de la Espriella perder? A esposa dele já tinha dito que, neste caso, eles voltariam a morar nos Estados Unidos e na Itália, onde têm casas. O destino da Colômbia será decidido neste domingo. E com ele os rumos também do pêndulo político, econômico, social e ideológico da América do Sul, que já tem Milei na Argentina, Kast, no Chile, Noboa, no Equador….
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, Marcia Carmo





