
Durigan formalizou nesta semana, em Pequim, a primeira emissão de títulos soberanos brasileiros denominados na moeda chinesa.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta sexta-feira (26) a estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ampliar a cooperação financeira com a China por meio da emissão de títulos soberanos em yuan, conhecidos como “panda bonds”. Em declarações publicadas pelo jornal O Globo, o ministro afirmou que o Brasil busca diversificar suas fontes de financiamento sem ficar condicionado à disputa geopolítica entre China e Estados Unidos.
Durigan formalizou nesta semana, em Pequim, a primeira emissão de títulos soberanos brasileiros denominados na moeda chinesa. A iniciativa faz do Brasil o primeiro país da América Latina a recorrer a esse instrumento financeiro, com expectativa inicial de captar até 5 bilhões de yuans, o equivalente a cerca de R$ 3,8 bilhões.
“O que é realmente importante para mim é que nós não estamos presos, do ponto de vista do Brasil e do presidente Lula, na polarização entre os Estados Unidos e a China. Nós temos nossa própria estratégia para lidar com o mundo. E nós nos vemos como um país que precisa liderar a nova era de desenvolvimento sustentável em diferentes regiões do mundo”, afirmou.
Ao comentar a possibilidade de pressões por parte dos Estados Unidos diante do fortalecimento da parceria com a China, Durigan afirmou que o Brasil não deve limitar sua estratégia internacional por receio de eventuais retaliações.
“É assim que a gente se equilibra. Não batendo continência para a bandeira americana. A gente foi para os Estados Unidos, o presidente Lula foi lá na Casa Branca e disse para o presidente Trump algumas coisas. Primeiro: quero aumentar o comércio com os Estados Unidos. Vamos ultrapassar essa discussão sobre tarifa punitiva ao Brasil para que a gente amplie o comércio com os Estados Unidos”, criticou.
O ministro voltou a classificar como “injusto” o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Segundo Durigan, a medida não encontra justificativa porque o Brasil registra déficit comercial com os norte-americanos, diferentemente do que ocorre na relação entre Washington e Pequim.
“A gente, evidentemente, faz a avaliação de risco, mas não me parece que isso deva limitar a atuação do Brasil. Então, há uma avaliação de risco, há atuação diplomática, atuação política, mas isso não nos limita. É isso que é o mais importante. Toda a discussão tarifária dos Estados Unidos em relação ao Brasil é injusta”, avaliou o ministro.
Durante a agenda na China, Durigan também anunciou que a Receita Federal passará a contar com uma representação permanente em Pequim. A subsecretária de Fiscalização da Receita Federal, Andrea Costa Chaves, será a primeira adida brasileira para assuntos tributários e aduaneiros na Ásia.
Segundo o ministro, a criação da representação acompanha a expansão das relações comerciais entre os dois países e busca facilitar o comércio bilateral por meio de maior cooperação em questões tributárias e aduaneiras.
Além disso, Durigan afirmou que o posto permitirá ampliar a cooperação entre Brasil e China no combate ao crime organizado, especialmente em relação ao tráfico internacional de drogas e armas.
O ministro acrescentou que a atuação da nova representante brasileira deverá fortalecer o intercâmbio entre os dois países nessa área.
“Nós vamos olhar para isso com mais atenção. Com a Andrea aqui, nós vamos ter uma frente de trabalho bem forte contra o crime organizado também”, completou.





