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Desemprego cai a 5,6% e tem menor taxa para maio desde 2012

O analista da pesquisa, William Kratochwill, destacou que a estabilidade em relação ao trimestre imediatamente anterior tem componente sazonal, mas avaliou que o patamar alcançado reforça uma tendência mais consistente de absorção de trabalhadores pela economia.

Desemprego cai a 5,6% e tem menor taxa para maio desde 2012

A taxa de desocupação ficou estável em relação ao trimestre de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026, quando havia marcado 5,8%, mas recuou 0,6 ponto percentual na comparação com o trimestre de março a maio de 2025, quando estava em 6,2%.

O desemprego caiu a 5,6% no Brasil no trimestre encerrado em maio de 2026, o menor resultado para o mês desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. O levantamento também mostrou avanço da população ocupada, redução da subutilização da força de trabalho e estabilidade no número de pessoas sem emprego, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (26) pelo IBGE.

A taxa de desocupação ficou estável em relação ao trimestre de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026, quando havia marcado 5,8%, mas recuou 0,6 ponto percentual na comparação com o trimestre de março a maio de 2025, quando estava em 6,2%. O resultado confirma um cenário de mercado de trabalho aquecido e distante do pico registrado durante a pandemia, quando o desemprego chegou a 14,9% no trimestre encerrado em março de 2021.

“A estabilidade na variação é sazonal, pois é o período em que os setores começam a olhar para o segundo semestre, mas atingir a mínima histórica para o período indica que o mercado mantém uma tendência estrutural de aquecimento e expansão na absorção de mão de obra”, afirmou.

Já a população ocupada chegou a 102,7 milhões de pessoas. O contingente cresceu 0,5% frente ao trimestre anterior, com 558 mil trabalhadores a mais, e avançou 0,8% em relação ao mesmo período de 2025, acréscimo de 840 mil pessoas. O nível da ocupação, que mede a proporção de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, ficou em 58,6%.

Entre os empregados do setor privado com carteira assinada, excluídos os trabalhadores domésticos, o total chegou a 39,3 milhões de pessoas, mantendo estabilidade tanto na comparação trimestral quanto na anual. O mesmo comportamento foi observado entre os empregados sem carteira assinada, estimados em 13,4 milhões, entre os trabalhadores por conta própria, que somaram 26 milhões, e entre os empregadores, grupo formado por 4,2 milhões de pessoas.

Um dos movimentos destacados pela pesquisa foi a redução no contingente de trabalhadores domésticos. O grupo, estimado em 5,4 milhões de pessoas, permaneceu estável na comparação trimestral, mas perdeu 328 mil postos em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Segundo William Kratochwill, esse comportamento está ligado à melhora geral do mercado de trabalho, que amplia as opções de ocupação para esse grupo de trabalhadores.

“Em cenários de baixa desocupação, o custo de oportunidade dessa força de trabalho aumenta, gerando uma migração estrutural para postos formais em outras atividades, que oferecem melhores salários, condições de trabalho e garantias”, explicou.

O setor público registrou crescimento no número de ocupados. O grupo de empregados no setor público, incluindo servidores estatutários e militares, foi estimado em 13,1 milhões de pessoas, alta de 3,6% em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, o avanço foi de 2,8%, com acréscimo de aproximadamente 350 mil pessoas.

Apesar do aumento da ocupação no setor público, o rendimento médio mensal real habitualmente recebido por esse grupo recuou 3,1% no trimestre, queda equivalente a R$ 172. Para o analista do IBGE, o resultado reflete alterações na composição dos trabalhadores do setor.

Na comparação com o trimestre encerrado em maio de 2025, houve aumento de rendimento em algumas categorias. Os empregados com carteira assinada tiveram alta real de 3%, ou R$ 99 a mais. Entre os trabalhadores domésticos, o avanço foi de 3,8%, equivalente a R$ 52. Já os trabalhadores por conta própria registraram crescimento de 4,4%, ou R$ 130.

A PNAD Contínua também apontou melhora nos indicadores de subutilização da força de trabalho. A taxa composta de subutilização caiu para 13,3%, o menor nível desde o início da série histórica. O indicador recuou 0,8 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, quando estava em 14,1%, e caiu 1,6 ponto percentual frente ao mesmo período de 2025, quando marcava 14,9%.

A população subutilizada foi estimada em 15,1 milhões de pessoas, queda de 5,7% no trimestre, com redução de 920 mil pessoas. Em relação ao ano anterior, o recuo foi de 11,3%, o equivalente a 1,9 milhão de pessoas a menos nessa condição.

Também houve queda na população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas, que chegou a 4,1 milhões de pessoas. O contingente diminuiu 5,7% no trimestre e 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Outro indicador em retração foi o desalento. A população desalentada, formada por pessoas que desistiram de procurar trabalho, foi estimada em 2,4 milhões. O número caiu 10,2% no trimestre, com 277 mil pessoas a menos, e recuou 14,6% na comparação anual. O percentual de desalentados ficou em 2,2%, ante 2,4% no trimestre anterior e 2,6% um ano antes.

A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores informais. No trimestre encerrado em fevereiro, o percentual era de 37,5%, também com 38,3 milhões de pessoas. Em maio de 2025, a informalidade alcançava 37,8%, com 38,5 milhões de trabalhadores.