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Papa defende imigração e critica exclusão em meio à celebração dos 250 anos dos EUA

Primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, Leão XIV participou por vídeo, diretamente do Vaticano, de um evento realizado no National Constitution Center, na Filadélfia, na véspera das comemorações do 4 de Julho, data que marca a adoção da Declaração de...

Papa defende imigração e critica exclusão em meio à celebração dos 250 anos dos EUA

Em seu discurso, o papa afirmou que a palavra “América” tornou-se sinônimo de liberdade justamente por causa da capacidade histórica do país de acolher imigrantes.

O papa Leão XIV aproveitou as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos para reafirmar que a história do país foi construída por sucessivas ondas de imigrantes e defender a proteção dos mais vulneráveis — uma posição que o coloca em rota de colisão com o presidente Donald Trump.

Primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, Leão XIV participou por vídeo, diretamente do Vaticano, de um evento realizado no National Constitution Center, na Filadélfia, na véspera das comemorações do 4 de Julho, data que marca a adoção da Declaração de Independência, em 1776.

Em seu discurso, o papa afirmou que a palavra “América” tornou-se sinônimo de liberdade justamente por causa da capacidade histórica do país de acolher imigrantes.

“As sucessivas ondas de imigrantes ajudaram a construir esta nação”, declarou. Segundo ele, o aniversário de 250 anos oferece a oportunidade de refletir sobre os princípios fundadores dos Estados Unidos, para que o país permaneça fiel ao ideal que lhe rendeu o título de “terra dos livres e lar dos bravos”, em referência ao hino nacional americano.

Durante a cerimônia, o papa recebeu a Medalha da Liberdade, prêmio concedido anualmente a personalidades que demonstram coragem e liderança na defesa da liberdade.

No dia seguinte, 4 de julho, ele foi para a ilha de Lampedusa, retomando um dos gestos mais emblemáticos do pontificado de Francisco.

Em 2013, o Papa argentino denunciou a “globalização da indiferença” e chamou a atenção do mundo para o drama dos migrantes que arriscam a própria vida em busca de melhores condições, em particular, dessa rota migratória do Mediterrâneo que havia definido como “o maior cemitério da Europa”.

O Pontífice foi até a “Porta da Europa”, um monumento criado pelo artista Mimmo Paladino, em 2008, em memória às milhares de pessoas que perderam a vida cruzando o Mar Mediterrâneo. A grande porta é feita de cerâmica e ferro, com cerca de 5 metros de altura e voltada para omar.

No local, o Pontífice encontrou uma família de migrantes que o conduziu até esse que é um símbolo de esperança em Lampedusa.

Donald Trump no Monte Rushmore. Foto: Saul Loeb/AFP

Embora não tenha citado Donald Trump diretamente, o pronunciamento ocorre em meio ao endurecimento da política migratória do governo americano. O governo Trump intensificou as deportações em massa de imigrantes em situação irregular e suspendeu diferentes modalidades de imigração legal, medidas amplamente criticadas por entidades religiosas e de direitos humanos.

Trump, por sua vez, tem atacado publicamente o pontífice. O presidente classificou o papa como “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”, além de afirmar que “não é fã de Leão XIV”. Também rejeitou a posição do líder da Igreja Católica de que uma eventual guerra contra o Irã não poderia ser considerada moralmente justa. Veja o vídeo na íntegra: