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Lula entrega 1,6 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida: “é tudo que um ser humano quer”

Lula defendeu a moradia como direito fundamental, criticou o histórico descaso com a política habitacional no país e afirmou que o Estado tem obrigação de garantir condições dignas de vida à população. Segundo o governo federal, as novas unidades vão...

Lula entrega 1,6 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida: “é tudo que um ser humano quer”

Lula relembrou a criação do Minha Casa, Minha Vida e afirmou que, no início do programa, o país não estava preparado para executar uma política habitacional em grande escala.

O presidente Lula (PT) entregou, nesta sexta-feira (3), 1.619 unidades do Minha Casa, Minha Vida em seis estados e afirmou que a casa própria “é tudo que um ser humano quer”. As entregas ocorreram durante cerimônia no Palácio do Planalto, em agenda simultânea do governo federal nas áreas de saúde, educação e habitação.

“A gente tem que se perguntar por que no Brasil nunca foi levada a sério a questão habitacional. Vocês podem pesquisar, não precisam acreditar no que estou falando. É porque as pessoas que governaram esse país não têm a menor noção de como é a vida do povo”, afirmou Lula.

O presidente disse que muitos governantes conhecem a realidade da população apenas de forma distante, sem vivenciar diretamente os problemas enfrentados por famílias que vivem de aluguel, em moradias precárias ou em constante mudança. “Eu acho que eles sabem, porque eles lêem muito. Mas sabe por literatura e não ver com os próprios olhos, você não sente”, declarou.

“Quando criamos o Minha Casa, Minha Vida, o Brasil não estava preparado para um programa habitacional. Eu procurei várias associações empresariais para perguntar que tamanho de programa habitacional eles estavam preparados para fazer. Sabe qual foi a primeira proposta? 200 mil casas. Eu falei ‘gente, 200 mil casas não é um grande programa habitacional; eu quero mais’”, disse.

O presidente contou que discutiu a ampliação da meta com Dilma Rousseff e Guido Mantega, mas ainda considerou modesta a proposta de 500 mil unidades. Para Lula, políticas públicas de grande impacto exigem ambição administrativa e capacidade de execução. “Fui conversar com a Dilma Rousseff e Guido Mantega, que foram também conversar com empresários. Chegamos a uma proposta de 500 mil casas. Eu ainda achei pouco. É preciso a gente se desafiar para fazer as coisas. E resolvemos fazer um grande programa habitacional”, afirmou.

A maior entrega desta sexta-feira ocorreu em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, com 900 apartamentos do Residencial Villa Provance. O empreendimento contará com centro comunitário, quadra esportiva e parque infantil. Também foram entregues 200 casas em Barra de São Miguel, em Alagoas; 214 moradias em Itabaiana, em Sergipe; 95 casas em Caldas Novas, em Goiás; 60 apartamentos em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; e 150 casas em Olímpia, em São Paulo.

Ao falar sobre o tamanho das casas e apartamentos, Lula afirmou que a importância da moradia não pode ser medida apenas pela metragem. O presidente relatou sua própria experiência em uma casa pequena e disse que o essencial, para quem não tem moradia, é conquistar estabilidade e segurança para a família.

“Essas pessoas receberam casas de 40m² metros quadrados, 49m², 52m². Tem gente que acha que é pequena. Eu não falo isso para confortar ninguém não, mas a primeira casa em que eu morei, com mulher, três filhos, uma sogra e duas cachorras – que teve 11 filhotes -, era uma casa de 33m². Morei quase dez anos lá e vivia feliz, porque era minha”, afirmou.

Lula também destacou o impacto da moradia na vida das crianças, especialmente em famílias que precisam mudar frequentemente de bairro por não terem casa própria. “Quem não tem família não tem noção da importância do ninho. Ter que mudar de bairro todo ano é um inferno, sobretudo para as crianças. A casa é uma coisa sagrada”, disse.

“Quando entrego uma casa, muitas vezes o banheiro é a parte mais apreciada para algumas mulheres, porque nem elas nem os filhos nunca tinham tido a chance de tomar um banho de chuveiro. É por isso que a gente não tem que medir esforço para fazer quantas [casas] forem necessárias. E fazer com cada vez mais respeito”, declarou.

Lula disse ainda que o padrão das unidades vem sendo aprimorado. Segundo ele, os imóveis passaram a incorporar elementos como varanda e, agora, o governo também cobra espaços voltados à leitura e ao desenvolvimento das crianças.

“As casas eram menores e estão crescendo. Agora os apartamentos têm uma varandinha. Não tinham e eu comecei a insistir que tivesse. O que custa colocar uma varandinha de 2m² numa casa? Os ricos moram numa varanda que tem 50m², que parecem um campo de futebol. Agora estamos exigindo também biblioteca, para as crianças poderem ler. Se as crianças ficarem só no digital, o vocabulário delas vai desaparecer”, afirmou.

“Casa, para mim, é um sonho. É tudo que um ser humano quer, é tudo que o povo precisa. E está na Constituição. É obrigação do Estado garantir isso. Está na Bíblia, na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Todo mundo tem que ser tratado em igualdade de oportunidade. A nossa obrigação é fazer as coisas”, disse.

O presidente também criticou o Casa Verde e Amarela, programa habitacional adotado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo Lula, famílias que receberam promessa de moradia naquele período não conseguiram ter acesso às unidades. “Vocês nunca conseguiram receber uma Casa Verde e Amarela, que prometeram para vocês [no governo Bolsonaro]. Numa campanha política você pode mentir, fazer fake news, mas governar é a arte de fazer ou não fazer. É a arte de entregar ou não entregar. E você é medido pelo que você faz”, declarou.

“Da boca para fora qualquer coisa pode acontecer, mas quando você terminar sua tarefa, você vai ser medido pelo que você fez. Se você não fez, vai aparecer que você não fez”, completou.

Desde a retomada do Minha Casa, Minha Vida, em 2023, o governo federal afirma já ter contratado mais de 2,4 milhões de unidades habitacionais em todo o país. No mesmo período, segundo os dados apresentados, o déficit habitacional caiu de 8,3%, em 2022, para 7,4%, em 2024.

Lula afirmou que executar obras e entregar políticas públicas deve ser uma prioridade permanente de governo, ainda que nem sempre os prazos sejam os desejados. “Fazer é uma obsessão. Fazer e fazer rápido, mas nem sempre é possível”, disse.

No fim do discurso, o presidente pediu que a trajetória brasileira fosse analisada a partir das políticas públicas implementadas em áreas como habitação, educação, saúde, demarcação de terras indígenas e quilombolas. Para Lula, a lentidão histórica do país em garantir direitos ajuda a explicar desigualdades ainda presentes.

“Queria que vocês pesquisassem esse país. Peguem a história do Brasil da proclamação da República, 15 de novembro de 1889, peguem de lá para cá todos os presidentes. Pesquisem o que fez cada presidente na habitação, na educação, na demarcação de terras indígenas, quilombolas, no ensino fundamental, médio e universitário, na saúde. Pesquisem. Vocês vão se dar conta porque esse país demora tanto para dar certo. Por que fomos os últimos a conquistar o voto das mulheres. Por que fomos os últimos a fazer nossa independência na América do Sul. Por que fomos os últimos a acabar com a escravidão. Por que fomos os últimos a ter uma universidade federal”, afirmou.