
Caruso é acusado de sequestro, abuso sexual de menor, exposição indecente, aliciamento de criança e abuso infantil com danos psicológicos. O suposto abuso teria ocorrido várias vezes em 2024 e 2025, durante feriados e viagens familiares, incluindo um cruzeiro pelo Caribe.
O governador da Flórida, Ron DeSantis, suspendeu do cargo Michael Caruso, ex-deputado estadual e aliado político próximo, após ele ser preso sob cinco acusações criminais relacionadas a abuso sexual de uma criança.
Caruso, de 67 anos, havia sido nomeado por DeSantis em agosto de 2025 como secretário do Tribunal e controlador do condado de Palm Beach. A suspensão ocorreu na terça-feira (18), mesmo dia em que sua prisão foi anunciada pelo procurador-geral da Flórida, James Uthmeier.
Segundo documentos judiciais, Caruso é acusado de sequestro, abuso sexual de menor, exposição indecente, aliciamento de criança e abuso infantil com danos psicológicos. O suposto abuso teria ocorrido várias vezes em 2024 e 2025, durante feriados e viagens familiares, incluindo um cruzeiro pelo Caribe.
A suposta vítima é um parente do político e teria menos de 12 anos. Caruso compareceu a uma audiência na quarta-feira (19), em West Palm Beach, e teve a liberdade sob fiança negada.
Questionado sobre o caso, DeSantis afirmou que não hesitou em retirar Caruso do cargo.
“Foi uma decisão muito fácil para mim tirá-lo daquela posição”, disse o governador a jornalistas em Sarasota.
Posteriormente, o gabinete de DeSantis publicou a ordem de suspensão, acompanhada do documento policial que detalha as acusações.
O governador também afirmou que Caruso era “bem-visto na comunidade” e lembrou sua atuação voluntária como treinador de beisebol infantil e integrante dos escoteiros. Mas ressaltou que, caso seja condenado, o ex-aliado enfrentará consequências severas.
DeSantis declarou ainda que nem ele nem integrantes de sua administração tinham conhecimento prévio de denúncias contra Caruso.

A prisão coloca em xeque uma relação política que vinha sendo marcada por forte proximidade. DeSantis frequentemente elogiava Caruso por seu apoio a projetos de lei de linha-dura durante sua passagem pela Assembleia Legislativa da Flórida, entre 2018 e 2025.
Caruso foi um dos defensores de uma lei sancionada por DeSantis em 2023 que ampliou a possibilidade de aplicação da pena de morte a pessoas condenadas por abuso sexual contra crianças menores de 12 anos.
O governador chegou a chamar Caruso de “uma lenda” por seu apoio a pautas conservadoras. Segundo o Miami Herald, DeSantis também teria se referido a ele como “meu representante” depois que Caruso foi o único legislador a apoiar uma controversa proposta de imigração.
Além de nomear Caruso para o cargo em Palm Beach, DeSantis também teria feito indicações para sua mulher, Tracy Stein Caruso, para conselhos ligados à saúde, habitação e educação do condado.
O caso também trouxe à tona episódios do passado de Caruso. O Miami Herald informou que registros judiciais de Palm Beach mostram que sua vida pessoal foi marcada por conflitos e por pelo menos uma acusação anterior de abuso sexual contra uma criança.
Em um processo de divórcio apresentado em 2013, Caruso teria acusado a ex-mulher de ter armado contra ele um “falso caso de abuso sexual”. O episódio teria sido investigado por autoridades locais e estaduais em 2012.
As acusações atuais, contudo, são objeto de uma nova investigação, que permanece em andamento. Caruso é considerado inocente até que haja uma condenação judicial.
Caruso representou o 87º distrito da Flórida na Câmara estadual, região que inclui o resort Mar-a-Lago, de Donald Trump. Ele deixou a Assembleia após atingir o limite de mandatos e, em uma eleição extraordinária realizada em março, a cadeira foi conquistada pela democrata Emily Gregory.
A prisão transforma a queda política de um aliado que havia sido promovido por DeSantis em um dos episódios mais delicados envolvendo seu círculo político recente.





