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Doença renal e falta de exames: perito expõe descaso antes da morte de Maradona

Na avaliação do nefrologista, o quadro exigia consultas médicas e cuidados de enfermagem diários, hemogramas e monitoramento de pressão arterial, peso e demais sinais vitais.

Doença renal e falta de exames: perito expõe descaso antes da morte de Maradona

O aumento simultâneo da pressão e do peso deveria ter levado a equipe a rever o tratamento e investigar a retenção de líquidos.

O nefrologista Hernán Trimarchi afirmou que não encontrou registro de exames de sangue feitos em Diego Maradona durante as duas semanas de internação domiciliar que antecederam sua morte. Ao depor nesta terça-feira (18) no julgamento da equipe de saúde do ex-jogador, o perito disse que a doença renal crônica e o aumento de peso do argentino deveriam ter provocado uma reação imediata dos profissionais responsáveis.

Trimarchi integrou a junta médica formada em 2021 para investigar as circunstâncias da morte. Segundo o especialista, os rins de Maradona estavam aumentados e apresentavam lesões associadas ao histórico de obesidade, hipertensão e uso de cocaína. A documentação do atendimento domiciliar, porém, não continha registro de coleta de sangue durante o período, conforme o relato da AFP, divulgado pela Folha de S. Paulo.

Na avaliação do nefrologista, o quadro exigia consultas médicas e cuidados de enfermagem diários, hemogramas e monitoramento de pressão arterial, peso e demais sinais vitais. O aumento simultâneo da pressão e do peso deveria ter levado a equipe a rever o tratamento e investigar a retenção de líquidos.

O toxicologista Carlos Damin, outro integrante da junta médica, também declarou que as funções renal, hepática e cardíaca precisavam ser acompanhadas. Maradona recebia medicamentos psicotrópicos processados pelo fígado e eliminados pelos rins, alguns dos quais poderiam provocar efeitos sobre o coração.

Maradona Napoli
Fãs do Napoli com bandeirão em homenagem a Diego Maradona, ídolo da equipe. Foto: Daniele Mascolo/Reuters

O novo depoimento não estabelece que uma insuficiência renal tenha causado a morte. A autópsia apontou edema pulmonar agudo decorrente de insuficiência cardíaca congestiva e cardiomiopatia dilatada. A doença renal aparece no processo como uma condição preexistente que, segundo os peritos, deveria ter servido de alerta para o agravamento geral da saúde.

Maradona morreu aos 60 anos, em 25 de novembro de 2020, na casa onde se recuperava de uma cirurgia para tratar um hematoma subdural. O novo julgamento começou em abril, depois que o primeiro processo foi anulado devido à participação da então juíza Julieta Makintach em um documentário não autorizado sobre o caso.

Sete profissionais respondem por homicídio simples com dolo eventual: Leopoldo Luque, Agustina Cosachov, Carlos Díaz, Nancy Forlini, Pedro Pablo Di Spagna, Mariano Perroni e Ricardo Almirón. Todos negam responsabilidade criminal e podem receber penas de oito a 25 anos em caso de condenação. Uma oitava acusada, a enfermeira Dahiana Madrid, será julgada separadamente.