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Boulos critica Galípolo e vê juros em ritmo “de tartaruga”

O dirigente classificou como “decepcionante” o trabalho de Galípolo à frente do Banco Central, especialmente diante da taxa de juros, atualmente em 14% ao ano, e da expectativa criada pelo presidente Lula ao indicar seu nome para o comando da...

Boulos critica Galípolo e vê juros em ritmo “de tartaruga”

“É decepcionante. O ritmo de queda da taxa de juros é absolutamente decepcionante”, afirmou Boulos.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da República, Guilherme Boulos, criticou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e afirmou nesta sexta-feira (4) que a queda dos juros no Brasil ocorre em ritmo lento, em prejuízo ao crescimento econômico. A entrevista foi concedida ao jornal O Estado de S.Paulo.

O dirigente classificou como “decepcionante” o trabalho de Galípolo à frente do Banco Central, especialmente diante da taxa de juros, atualmente em 14% ao ano, e da expectativa criada pelo presidente Lula ao indicar seu nome para o comando da instituição.

“É decepcionante. O ritmo de queda da taxa de juros é absolutamente decepcionante”, afirmou Boulos.

De acordo com o secretário, Lula esperava uma política mais clara de redução dos juros quando indicou Galípolo para o Banco Central. Para Boulos, a autonomia aprovada durante o governo de Jair Bolsonaro criou um problema democrático ao limitar a influência do governo eleito sobre uma área central da economia.

O secretário questionou o peso político de uma autoridade monetária sem voto popular direto. “Quantos votos tem o presidente do Banco Central? Nunca vi o nome dele na urna. Um de quem teve 60 milhões de votos.”

Juros e democracia

Na entrevista, Boulos relacionou a política monetária à legitimidade democrática. Ele afirmou que o presidente eleito, por ter recebido a confiança da maioria dos eleitores, deveria ter capacidade de incidir sobre decisões econômicas estratégicas.

“Então veja, se quem teve 60 milhões de votos, se quem teve a confiança do povo brasileiro para definir a economia, não puder ter nenhum tipo de incidência na taxa de juros…”, declarou.

Ao ser questionado se a avaliação sobre Galípolo era compartilhada por outros integrantes do governo ou da campanha, Boulos afirmou que falava em nome próprio e destacou que a opinião mais importante seria a de Lula.

“Para o presidente Lula, que é a opinião mais importante. Eu falo por mim. A minha percepção é que o nível de manutenção por um período, depois de queda a ritmo de tartaruga dos juros no Brasil, é bastante decepcionante.”

Crítica mira ritmo de queda

A avaliação de Boulos concentra-se no ritmo de redução da taxa de juros. Para ele, a manutenção dos juros em patamar elevado por longo período, seguida de cortes lentos, limita a capacidade de expansão da economia.

O deputado também reforçou a crítica à autonomia do Banco Central ao defender que decisões sobre juros não fiquem dissociadas do projeto econômico escolhido nas urnas.