
“Então, vamos chamar as testemunhas?”. Mendonça declarou que a convocação pode ser feita, mas alegou que as testemunhas iriam mentir perante a Corte.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou categoricamente durante sessão no plenário da Corte que dispõe de um conjunto de testemunhas dispostas a comprovar que o ministro André Mendonça exigiu da Polícia Federal a sua inclusão no procedimento que investiga o caso do Banco Master.
“Não há como julgar hoje sem julgar terça, porque eu pergunto: quem tem medo da Polícia Federal, presidente? Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na delação premiada? E vamos trazer aqui, presidente, vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar”, declarou Moraes ao dirigir-se ao presidente da sessão.
O ministro detalhou o perfil das pessoas que pretende indicar para prestarem esclarecimentos formais no tribunal: “Não só policiais. Advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse…”. Nesse instante, André Mendonça interrompeu a fala do colega e reagiu afirmando “isso é mentira”. Em resposta imediata, Moraes questionou: “Então, vamos chamar as testemunhas?”. Mendonça declarou que a convocação pode ser feita, mas alegou que as testemunhas iriam mentir perante a Corte.
Moraes aproveitou a oportunidade para rebater as acusações de ter recorrido a um documento sem validade legal ao acionar o tribunal contra o colega por infrações como abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O ministro rejeitou o rótulo de que o material utilizado seria apócrifo — termo empregado para definir peças sem valor probatório — e esclareceu que o documento consiste em um relatório oficial de inteligência da própria corporação.
“Não tem nenhum documento apócrifo. Todos sabem o que é um relatório de inteligência. Os relatórios de inteligência estavam registrados. É só pegar o registro, quem fez e vamos chamar aqui neste Supremo Tribunal Federal”, concluiu Moraes.





