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Flávio Bolsonaro ergue imagem de Nossa Senhora Aparecida e revolta evangélicos

A cena que pretendia produzir uma demonstração de proximidade com o público católico acabou abrindo uma frente de desgaste entre evangélicos — um novo tiro no pé.

Flávio Bolsonaro ergue imagem de Nossa Senhora Aparecida e revolta evangélicos

“A imagem de Flávio segurando Nossa Senhora Aparecida, para o grupo evangélico… Tem uma ala que condena totalmente qualquer tipo de imagem de santo. Isso é muito forte”, afirmou. É um estrago eleitoral.

Um ato político durante um evento em São Paulo acabou criando um problema para Flávio Bolsonaro, justamente entre o eleitorado evangélico. Ao lado do governador Tarcísio de Freitas, o senador foi filmado erguendo uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

O gesto, que aproxima Flávio do simbolismo católico ligado à Padroeira do Brasil, acabou pegando mal entre evangélicos. Para esse eleitorado, a exibição de uma imagem de santo entra em choque direto com suas convicções religiosas. É fruto do desespero de Flávio.

A cena que pretendia produzir uma demonstração de proximidade com o público católico acabou abrindo uma frente de desgaste entre evangélicos — um novo tiro no pé.

O jornalista Valdo Cruz chamou atenção justamente para esse problema durante comentário na GloboNews. Destacou que a questão religiosa envolvendo Nossa Senhora Aparecida tem um peso forte, sobretudo pela relação da santa com o 12 de outubro e com o catolicismo.

“A imagem de Flávio segurando Nossa Senhora Aparecida, para o grupo evangélico… Tem uma ala que condena totalmente qualquer tipo de imagem de santo. Isso é muito forte”, afirmou. É um estrago eleitoral.

A campanha do candidato da extrema-direita sentiu o baque do caso Nossa Senhora Aparecida. Tornou-se a terceira maior controvérsia política de 2026 nas redes sociais. Segundo informações do UOL, o episódio acumulou 977,6 mil menções em 55 horas e gerou pelo menos 8,5 milhões de interações.

O Instituto Democracia em Xeque colocou o episódio atrás apenas de “Mendonça vs. Moraes” e da “Quebra de sigilo Dark Horse” em sua série comparativa dos últimos 12 meses. Nas primeiras 24 horas, a discussão já havia alcançado 669,9 mil publicações e chegou a um pico de 38,3 mil menções em apenas uma hora.

No domingo (27), Flávio atacou de maneira covarde e leviana a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e acusou pessoas ligadas à entidade de ajudarem na circulação de publicações que afirmavam que ele teria um plano para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

“O PT, eu sei hoje, já estava havia alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB, infelizmente essa realidade”, disse. Não apresentou nomes ou provas da suposta participação de integrantes da CNBB.

Pastor de Flávio chutou a santa

O pastor de Flávio Bolsonaro, J. B. Carvalho, fez um ataque frontal ao catolicismo e à devoção a Nossa Senhora em seu livro “A Bomba”. No capítulo 11, Carvalho contesta diretamente a legislação que reconhece Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

“A lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal”, afirma. Na sequência, sustenta que não haveria “amparo constitucional para determinar que a deusa mariana seja imposta a toda uma nação como padroeira” e argumenta que “o Brasil não possui mais ligação entre igreja e estado”.

O pastor também recorre às Constituições brasileiras para sustentar sua interpretação. Segundo ele, a separação entre Estado e religião teria sido estabelecida pela Constituição de 1891 e preservada pelas Constituições de 1934, 1937, 1946, 1967/69 e 1988.

“Por esta razão o feriado de 12 de outubro é ilegal”, diz.