
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quarta-feira (21) uma mensagem em defesa da soberania nacional, da democracia e do respeito aos resultados das urnas, a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quarta-feira (21) uma mensagem em defesa da soberania nacional, da democracia e do respeito aos resultados das urnas, a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais. A manifestação, segundo O Globo, também orienta os eleitores a avaliar o histórico político dos candidatos e seus compromissos com os princípios democráticos antes de definir o voto.
“Reafirmamos a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam. Encorajamos a participação consciente de todos neste segundo turno das eleições”, afirma a mensagem.
O texto também orienta os cidadãos a considerar “a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia” no momento de escolher quem governará o país.
Ao associar a soberania à garantia de direitos sociais, a CNBB coloca questões relacionadas às condições de vida da população entre os elementos que devem orientar a reflexão dos eleitores. A manifestação também reforça a importância de reconhecer a legitimidade da escolha popular expressa nas urnas.
A mensagem termina com uma referência religiosa. Os bispos pedem que “Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda (…) e ajude-nos a vencer a indiferença”.
O posicionamento da entidade ocorre depois de uma controvérsia envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, e a circulação de informações falsas relacionadas a Nossa Senhora Aparecida.
Durante a campanha, Flávio Bolsonaro acusou integrantes da CNBB de contribuírem para a disseminação de uma informação falsa segundo a qual ele pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
Em um ato eleitoral realizado em Goiânia, o senador atribuiu ao PT a divulgação do conteúdo e afirmou que pessoas ligadas à conferência teriam colaborado para sua propagação.
“O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news e conseguiu, com a ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente. O que aconteceu ali foi, quase que automaticamente, uma disseminação dessa fake news. Só que rapidamente se reverteu, porque a verdade está do nosso lado”, declarou Flávio Bolsonaro na ocasião.
A CNBB respondeu às acusações por meio de uma nota oficial, sem mencionar diretamente o nome do senador. A instituição negou qualquer participação na elaboração ou divulgação de informações falsas sobre a disputa eleitoral.
A entidade acrescentou que “a Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.”
Antes da divulgação da mensagem sobre o segundo turno, integrantes da Igreja Católica já haviam se manifestado publicamente sobre a situação política brasileira, com posicionamentos distintos a respeito da democracia, da soberania e das instituições.
Durante a missa de 7 de Setembro, celebrada em Aparecida, o arcebispo emérito Dom Orlando Brandes defendeu a independência do Brasil diante de possíveis interferências estrangeiras.
Na ocasião, o religioso pediu que os eleitores escolhessem seus representantes pensando no bem comum e ressaltou a necessidade de preservar a autonomia nacional.
“Cá entre nós, festa da independência. Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, deve mandar aqui. Aqui é nossa casa, nossa pátria. Aqui é o chão abençoado que Deus nos deu e faz parte da nossa identidade”, declarou.
A manifestação ocorreu em meio ao debate eleitoral e reforçou a presença do tema da soberania nas declarações públicas de representantes da Igreja.
Em outra manifestação, no dia 6 de setembro, o bispo Dom Adair Guimarães, da Diocese de Formosa, em Goiás, apresentou uma avaliação crítica da situação institucional brasileira.
O religioso afirmou que o país não vivia “uma democracia plena”, mencionou a existência de “presos políticos” e pediu a intercessão de Nossa Senhora pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Que Nossa Senhora proteja nossa juventude, nossa pátria em frangalhos e doente. Interceda pelo nosso ministro André Mendonça, para que ajude a colocar a limpo o marasmo da corrupção que estraga a nossa pátria, a ditadura, ao cerceamento às liberdades com presos políticos e expatriados que revelam que a nossa pátria não possui uma democracia plena”, afirmou Dom Adair.





