
Mensagens internas da Meta obtidas pela Folha de S.Paulo mostraram que restrições na plataforma prejudicaram a conta do presidente Lula (PT) no Instagram, enquanto perfis ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL) receberam recomendações algorítmicas vedadas pela Justiça Eleitoral.
Mensagens internas da Meta obtidas pela Folha de S.Paulo mostraram que restrições na plataforma prejudicaram a conta do presidente Lula (PT) no Instagram, enquanto perfis ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL) receberam recomendações algorítmicas vedadas pela Justiça Eleitoral. Nas conversas, funcionários classificaram a situação da conta do petista como negativa diante da possibilidade de questionamentos judiciais.
Em 9 de outubro, o perfil oficial de Lula ficou quase 24 horas sem conseguir impulsionar publicações já feitas no feed do Instagram. A campanha ainda podia pagar por novos conteúdos em anúncios separados, os chamados dark posts, e manter impulsionamentos anteriores, mas não conseguia aumentar o alcance das postagens do perfil. A estimativa da equipe petista apontou que cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber os anúncios.
A companhia inicialmente relacionou a falha a uma interrupção global de dados que atingiu mais de 3.000 contas em 7 de outubro. As mensagens, porém, diferenciaram o episódio: o problema geral durou cerca de cinco horas, enquanto a restrição contra os impulsionamentos no feed de Lula se estendeu por quase um dia, em 9 de outubro.

As conversas também registraram que o WhatsApp recomendou o canal Tropa do Flávio a usuários que buscavam por “Exército do Lula”, canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Os resultados incluíam ainda o Canal do Lula e o Partido dos Trabalhadores. As regras do TSE permitem que canais eleitorais apareçam apenas quando o usuário procura o nome exato do perfil.
Em outro episódio, as contas de Lula e de Flávio ficaram cerca de uma hora sem publicar anúncios em 23 de setembro, após um erro que identificou “atividade suspeita”. Em 1º de outubro, a plataforma bloqueou anúncios da campanha de Flávio por detectar uso de inteligência artificial em período proibido pelo TSE. A campanha negou ter usado a tecnologia e afirmou que não enfrentou interrupções em sua conta de anúncios.
Em nota, a Meta negou interferência eleitoral ou favorecimento a candidaturas. “Os episódios citados pela reportagem tiveram causas distintas: falhas técnicas globais, um erro específico prontamente corrigido e a aplicação de normas eleitorais brasileiras que valem igualmente para todas as candidaturas”, afirmou a empresa.





