
“Estamos falando de todo o sistema financeiro nacional porque praticamente todos os bancos comercializaram. Isso é muito grave.”
A decisão do governo Donald Trump de considerar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas deve gerar grande impacto no mercado financeiro brasileiro.
A avaliação foi dada ao blog, em março, por Lincoln Gakiya, promotor de Justiça considerado um dos principais nomes que atua contra o crime organizado no Brasil. As informações são da CNN.
Durante evento nos Estados Unidos, o promotor disse que essa classificação dá direito ao governo americano de sancionar praticamente todo o sistema financeiro brasileiro.
“Se os EUA classificam o PCC como organização terrorista, eles podem dizer que todas as instituições financeiras que comercializaram os fundos da Reag ou títulos do Banco Master também serão sancionadas”, exemplificou, ao lembrar que essas duas instituições são investigadas por, supostamente, terem servido de veículo para recursos do PCC.
“Estamos falando de todo o sistema financeiro nacional porque praticamente todos os bancos comercializaram. Isso é muito grave.”
Em março, Gakiya participou da Brazil Conference, evento anual dos estudantes das universidades de Harvard e do MIT.
“O PCC e o Comando Vermelho praticam atos de natureza terrorista, são extremamente perigosos e oprimem a população. Se assemelham muito ao terrorismo. Porém, o objetivo deles não é político nem ideológico”, disse o promotor.
“O objetivo é meramente econômico: a dominação territorial para poder otimizar seus lucros.”
Questionado sobre eventual vantagem na investigação ou combate à ação dos criminosos, Gakiya disse que não vê nenhuma diferença positiva.
“No processo e na investigação, não vejo nenhuma vantagem. A Lei Antifacção, sancionada recentemente, já prevê penas maiores para organizações criminosas que as previstas para o terrorismo”, disse, ao lembrar que a nova lei também tem mecanismos modernos para a “asfixia financeira” do crime organizado.
“No processo e na investigação, não vejo nenhuma vantagem. A Lei Antifacção, sancionada recentemente, já prevê penas maiores para organizações criminosas que as previstas para o terrorismo”, disse, ao lembrar que a nova lei também tem mecanismos modernos para a “asfixia financeira” do crime organizado.
O promotor chamou atenção ainda a outro problema para as autoridades policiais e a Justiça.
Elevar o crime organizado ao status de terrorismo faz com que a cooperação deixe de ser entre polícias — como a Polícia Federal e o FBI — e passa para a esfera da inteligência e Forças Armadas.
Nesse cenário, explica o promotor, as informações tornam-se secretas ou confidenciais. Assim, o que deveria ser prova em um processo criminal vira “segredo de Estado” das autoridades norte-americanas.





