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Decisão de Trump pode afetar bancos, empresas e PIX no Brasil

“O rastro do dinheiro é sempre a primeira linha de atuação em medidas desse tipo. O PIX naturalmente entra nesse monitoramento porque movimenta um volume enorme de transações diariamente”, afirmou Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing ao g1.

Decisão de Trump pode afetar bancos, empresas e PIX no Brasil

A lei antiterrorismo americana permite atingir instituições que processem recursos ligados às facções, mesmo sem vínculo direto, tornando o monitoramento de transações e a conformidade financeira prioridade para empresas brasileiras com operações internacionais.

Os Estados Unidos classificaram as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, em medida anunciada na quinta (28) pelo governo de Donald Trump. Os grupos já figuram na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados” e, a partir de 5 de junho, entram também na categoria de “Organizações Terroristas Estrangeiras”.

A decisão não deve impactar diretamente o comércio entre Brasil e EUA, mas eleva a pressão sobre o sistema financeiro. Bancos, fintechs e empresas brasileiras que operam em dólar ou mantêm relações com o mercado americano precisarão reforçar o rastreamento de transações e a identificação de clientes para reduzir riscos de lavagem de dinheiro e sanções internacionais.

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos que movimenta bilhões de reais diariamente, também entra no radar das autoridades. “O rastro do dinheiro é sempre a primeira linha de atuação em medidas desse tipo. O PIX naturalmente entra nesse monitoramento porque movimenta um volume enorme de transações diariamente”, afirmou Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing ao g1.

Investigações recentes da Polícia Federal já mostraram que facções criminosas usam contas digitais e empresas de fachada para ocultar recursos.

Pix. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Setores com grande circulação de dinheiro, como combustíveis, logística, portos e mercado imobiliário, podem sofrer maior fiscalização, enquanto bancos e empresas reforçam compliance e auditorias internas. A decisão também deve exigir mais integração entre instituições financeiras, órgãos reguladores e autoridades de inteligência financeira.

No mercado de capitais, o efeito já é percebido. Nesta sexta (29), o Ibovespa caía quase 1%, aos 173.333 pontos, e o dólar subia 0,54%, para R$ 5,0708, refletindo cautela de investidores diante da maior pressão regulatória e riscos internacionais. O recuo mensal do índice já acumula 6,53% em maio, influenciado também pela guerra no Oriente Médio.

Especialistas avaliam que o impacto principal da classificação dos EUA será operacional e regulatório, mais do que comercial. A lei antiterrorismo americana permite atingir instituições que processem recursos ligados às facções, mesmo sem vínculo direto, tornando o monitoramento de transações e a conformidade financeira prioridade para empresas brasileiras com operações internacionais.