
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14,50% para 14,25% ao ano.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão confirma o terceiro corte consecutivo dos juros básicos e ocorre em um cenário de atenção às expectativas de inflação, à trajetória do IPCA e aos efeitos recentes da queda do petróleo sobre os preços. Os relatos foram publicados no Portal G1.
A redução de 0,25 ponto percentual já era esperada pela maior parte dos analistas do mercado financeiro, que projetavam uma nova rodada de afrouxamento monetário na reunião desta quarta-feira. A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação, com impacto direto sobre o crédito, o consumo, os investimentos e o custo da dívida pública.
A decisão do Copom foi tomada em meio a um ambiente externo menos pressionado. Segundo o texto original, a diminuição das tensões no Oriente Médio, após a desobstrução do estreito de Ormuz, contribuiu para a queda do preço do petróleo no início da semana. Esse movimento tende a reduzir a pressão sobre os combustíveis e, por consequência, sobre a inflação.
A economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, avaliou que o cenário recente abriu espaço para a continuidade do corte de juros. “Com IPCA ‘menos ruim’ e o petróleo abrindo a semana próximo de US$ 80 [com o anúncio do acordo de paz], o Copom deve cortar na reunião dessa quarta e pode deixar em aberto o comunicado. Os próximos passos vão depender do cenário, se confirmando a inflexão na inflação e expectativas 2027 e 2028 sem mudanças, podem ainda seguir cortando 25bps [0,25 ponto percentual]”, afirmou.
A expectativa de redução da Selic também aparecia nos preços dos ativos financeiros. Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, observou que a semana começou com um movimento de alívio generalizado nos ativos de risco, em razão do acordo de paz mencionado no texto original. Segundo ela, a curva de juros brasileira no mercado futuro já indicava queda em todos os vencimentos.
“Essa semana é importante porque esse alívio generalizado ele marca uma das semanas mais aguardadas que é exatamente essa precificação de juros em relação ao super quarta de Brasil e Estados Unidos. Mesmo com a curva de ir fechando em queda em todos os vencimentos, ainda é aguardado esse corte de 0,25 [ponto percentual] para quarta feira”, disse Bruna Centeno.
O contexto internacional também incluiu a informação de que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo de paz, segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Paquistão. Esse elemento entrou no radar dos analistas por seus possíveis efeitos sobre o petróleo, os combustíveis e a inflação global.
A definição da taxa básica de juros é feita com base no regime de metas de inflação. Quando as projeções indicam que a inflação está caminhando para a meta, o Banco Central pode reduzir os juros. Quando as estimativas apontam risco de descontrole dos preços, o Copom tende a manter ou elevar a Selic.
Desde o início de 2025, com o sistema de meta contínua, o objetivo central de inflação foi fixado em 3%. A meta é considerada cumprida quando o IPCA fica dentro do intervalo de tolerância, entre 1,5% e 4,5%.
Ao tomar decisões sobre a Selic, o Banco Central não observa apenas a inflação corrente, mas principalmente as projeções futuras. Isso ocorre porque as mudanças na taxa básica levam de seis a 18 meses para produzir impacto pleno sobre a economia. Neste momento, a autoridade monetária já considera o horizonte de 2027 em suas análises.
Apesar do novo corte, o cenário ainda exige cautela. Na semana anterior à decisão, o mercado financeiro projetava IPCA de 4,10% para o próximo ano, patamar acima do centro da meta de 3%. Esse dado ajuda a explicar a postura gradual do Banco Central, que optou por reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual.





