
A reação pública de Lula às declarações de Trump é vista por integrantes do governo como um indicativo da postura que Brasília pretende adotar diante de futuras investidas ou comentários do presidente estadunidense.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha com crescente atenção os movimentos políticos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante da avaliação de que suas manifestações sobre o Brasil podem influenciar o ambiente político nacional.
Segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo, integrantes do Itamaraty consideram necessário monitorar cuidadosamente as declarações e os sinais emitidos por Trump. Nos bastidores da diplomacia brasileira, cresce a percepção de que o presidente estadunidense demonstra interesse cada vez maior no processo político brasileiro.
Apesar do receio de uma possível tentativa de ingerência dos EUA no que diz respeito às eleições brasileiras, um integrante da diplomacia brasileira afirmou reservadamente que “o Brasil não é uma Venezuela”. A declaração faz referência ao sequestro do presidente venezuelan Nicolás Maduro, em janeiro, por forças militares estadunidenses.
A avaliação ocorre em meio ao debate sobre o papel dos Estados Unidos na América Latina e após declarações recentes de Trump envolvendo países da região. Para integrantes do governo brasileiro, as instituições nacionais possuem capacidade de responder a eventuais pressões externas.
Segundo a reportagem, integrantes da diplomacia defendem que o interesse estratégico dos Estados Unidos no hemisfério sul não pode ser subestimado. Por isso, a recomendação é manter vigilância permanente sobre os movimentos da Casa Branca
As declarações foram recebidas com atenção tanto pelo Itamaraty quanto pelo Palácio do Planalto. A orientação dentro do governo é acompanhar detalhadamente cada pronunciamento relacionado ao Brasil.
Apesar do alerta, há diferentes interpretações dentro do governo sobre as intenções de Trump. Uma ala da administração federal avalia que o presidente dos Estados Unidos tem enviado mensagens contraditórias.
Isso porque, ao mesmo tempo em que faz referências positivas a Lula, Trump também tem saído em defesa da família Bolsonaro. Essa dualidade leva integrantes do governo a defenderem cautela antes de conclusões definitivas sobre a estratégia política do mandatário estadunidense em relação ao Brasil.
No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Lula também demonstram preocupação com o cenário. Interlocutores do governo defendem respostas rápidas a qualquer manifestação considerada uma tentativa de interferência em assuntos internos do país.
A reação pública de Lula às declarações de Trump é vista por integrantes do governo como um indicativo da postura que Brasília pretende adotar diante de futuras investidas ou comentários do presidente estadunidense.
Nesta quarta-feira, durante entrevista coletiva após a Cúpula do G7, realizada na França, o presidente Lula respondeu diretamente ao presidente dos Estados Unidos. “Ele tem o direito de ter suas preferências ideológicas e eleitorais. Só espero que ele não fira o código de respeito entre nações soberanas. Ele pode gostar do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque isso é um problema do Brasil”, afirmou.





