
Juliette revelou que recebeu o diagnóstico de endometriose em estágio inicial após realizar um check-up médico.
Juliette revelou que recebeu o diagnóstico de endometriose em estágio inicial após realizar um check-up médico. A cantora e ex-participante do Big Brother Brasil relatou inchaço e dores leves, mas afirmou que não apresenta sintomas intensos da doença.
“Quando passei mal por conta do fígado, um, dois meses atrás, fui fazer um check-up e, em um dos exames, deu endometriose. Pedi uma segunda opinião, falei com minha ginecologista e com uma médica especialista para fazer análise do laudo e realmente tem”, afirmou Juliette nas redes sociais.
A cantora explicou que, conforme a avaliação das médicas responsáveis por seu acompanhamento, as lesões foram detectadas no início e não estão localizadas em uma região considerada de maior risco.
O caso de Juliette chama atenção para uma doença que pode se manifestar de maneiras distintas. Enquanto algumas mulheres enfrentam cólicas incapacitantes e dor pélvica intensa, outras apresentam sinais discretos ou permanecem por longos períodos sem perceber alterações significativas.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. O endométrio é a camada que reveste internamente o útero e sofre alterações ao longo do ciclo menstrual.
Quando esse tecido se desenvolve em outras regiões do organismo, pode atingir estruturas como os ovários, as trompas, o intestino, a bexiga e diferentes áreas da pelve. As lesões respondem às variações hormonais do ciclo menstrual, favorecendo inflamações, dores e a formação de aderências.
A intensidade da dor, entretanto, nem sempre corresponde à extensão da doença. Há pacientes com lesões mais avançadas e poucos sintomas, enquanto outras podem apresentar dores intensas mesmo com focos menores de endometriose.
Entre os principais sinais de alerta estão cólicas incapacitantes, dor pélvica persistente, desconforto durante as relações sexuais, dor ao evacuar ou urinar durante o período menstrual, alterações intestinais relacionadas ao ciclo, inchaço abdominal e dificuldade para engravidar.
Um dos maiores desafios enfrentados pelas pacientes é a demora para obter o diagnóstico. A endometriose pode começar ainda na adolescência, mas seus sintomas são frequentemente tratados como manifestações normais do período menstrual.
“Muitas pacientes só descobrem a doença quando encontram dificuldade para engravidar”, explica o médico.
O atraso na identificação pode permitir o avanço das lesões e aumentar a possibilidade de comprometimento de órgãos da pelve. Em alguns casos, a endometriose também pode afetar a fertilidade, especialmente quando alcança as trompas e os ovários ou provoca aderências.
Segundo o ginecologista Nélio Veiga Junior, a causa exata da doença ainda não foi completamente esclarecida. Estudos apontam para a possível participação de fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais.
O diagnóstico pode envolver avaliação clínica, exames de imagem e análise do histórico da paciente. Ultrassonografias especializadas e ressonâncias magnéticas podem ser solicitadas para localizar as lesões e avaliar a extensão do comprometimento.
O tratamento depende das características de cada caso e considera fatores como idade, intensidade dos sintomas, localização das lesões e desejo de engravidar. As alternativas podem incluir medicamentos hormonais, analgésicos, anti-inflamatórios e mudanças no estilo de vida.
Em situações mais complexas, pode ser indicada cirurgia por videolaparoscopia para retirar os focos da doença e liberar estruturas atingidas por aderências. A necessidade do procedimento, no entanto, deve ser analisada individualmente.
Rodrigo Rosa alerta que cirurgias para a retirada de endometriomas nos ovários podem reduzir a reserva ovariana. Para pacientes que pretendem ter filhos, a possibilidade de congelamento de óvulos pode ser discutida antes da intervenção como medida de preservação da fertilidade.
Especialistas também destacam que a gravidez não representa uma cura para a endometriose. As alterações hormonais da gestação podem diminuir temporariamente alguns sintomas, mas a doença permanece crônica e pode voltar a se manifestar.
O acompanhamento contínuo busca controlar a inflamação, reduzir as dores, evitar o avanço das lesões e preservar a qualidade de vida. No caso de Juliette, a identificação em estágio inicial permitirá que a evolução da doença seja acompanhada pelas médicas responsáveis.





