
Em declarações publicadas em suas redes sociais, Tarcísio de Freitas afirmou que a paralisação da categoria “é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem”, além de classificar a ação dos trabalhadores como uma “aposta na baderna”
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou duramente a greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) iniciada na manhã desta terça-feira (4). Em declarações publicadas em suas redes sociais, Tarcísio de Freitas afirmou que a paralisação da categoria “é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem”, além de classificar a ação dos trabalhadores como uma “aposta na baderna”, informa o Metrópoles.
“A aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo. Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações, estender as linhas até Bonsucesso ou até César de Souza e dar mais confiança ao sistema”, escreveu o governador na nota divulgada. Tarcísio acrescentou ainda que “negociações aconteceram, garantias de manutenção de emprego foram dadas e descartadas pelo sindicato, que não só ignorou a proposta do governo, como também, mais uma vez, ignora a decisão da Justiça do Trabalho”.
A versão do governo estadual é rebatida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil. A entidade sindical afirma que a greve foi deflagrada devido à ausência de um compromisso formal e documentado por parte da gestão paulista para assegurar a manutenção dos postos de trabalho frente ao processo de concessão das linhas estatais à iniciativa privada.
“Não houve garantia formal de manutenção dos empregos dos trabalhadores da CPTM diante do processo de concessão das linhas ferroviárias. Sem esse compromisso formal, a categoria decidiu manter a greve como forma de defender os postos de trabalho e o futuro de milhares de famílias”, informou a representação sindical em nota oficial.
Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão a reestatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade — concedidas à empresa Trivia Trens —, a garantia integral de todos os empregos na CPTM e o apoio do governo do estado para a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O texto do PL prevê que os funcionários da estatal sejam absorvidos por outros órgãos da administração pública estadual conforme as concessões forem efetivadas.
A paralisação traz impactos diretos ao cotidiano dos passageiros, principalmente na zona leste da capital paulista. Por volta das 6h, a Linha 11-Coral registrava operação parcial, funcionando apenas no trecho entre as estações Barra Funda e Guaianases. Às 6h35, a Linha 12-Safira passou a circular parcialmente entre as estações Brás e Engenheiro Goulart. Por sua vez, a Linha 13-Jade teve o atendimento totalmente interrompido.
Para conter o reflexo no tráfego rodoviário, a Prefeitura de São Paulo determinou a suspensão do rodízio municipal de veículos nesta terça-feira. Segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a cidade já apresentava lentidão acima da média desde às 6h, com maior concentração de congestionamento na zona leste.
Outras etapas da rede metroferroviária tiveram a operação alterada para absorver a demanda. O Metrô de São Paulo antecipou a abertura das estações das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata para as 4h da manhã. Na Linha 3-Vermelha, foram adicionadas composições extras e trens vazios foram colocados à disposição para envio rápido às estações com maior acúmulo de passageiros ao longo do dia.
As linhas de trem concedidas à iniciativa privada — 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda — operam normalmente e não foram afetadas pela greve. A Linha 10-Turquesa, mantida sob gestão direta da CPTM, também segue com o funcionamento regular.
Diante do impasse, a companhia recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que concedeu liminar determinando a manutenção de 80% do efetivo dos ferroviários em atividade durante os horários de pico e de 60% nos demais períodos do dia. O TRT estipulou o pagamento de multa diária no valor de R$ 400 mil ao sindicato em caso de descumprimento da ordem judicial.





