
A sentença foi proferida pela juíza federal Analisa Torres, em Nova York, que também determinou o confisco de cerca de US$ 889 milhões.
O magnata chinês Guo Wengui, também conhecido como Miles Guo e Ho Wan Kwok, foi condenado a 30 anos de prisão nos Estados Unidos na segunda (29) por liderar um esquema de fraude que desviou mais de US$ 1 bilhão de milhares de investidores ao redor do mundo.
A sentença foi proferida pela juíza federal Analisa Torres, em Nova York, que também determinou o confisco de cerca de US$ 889 milhões.
Guo, que vive nos EUA desde 2015 após deixar a China, foi considerado culpado por crimes como fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e conspiração.
Segundo o Departamento de Justiça americano, DoJ, ele utilizou empresas de fachada para captar recursos de seguidores e financiar uma vida de luxo, que incluía um iate de US$ 37 milhões e uma cobertura de 15 suítes em Manhattan.
As investigações americanas apontam ainda que Guo pagou pelo menos US$ 1 milhão a Bannon por serviços de consultoria. O ex-conselheiro de Trump chegou a ser preso em 2020 a bordo do iate do bilionário, em outro caso envolvendo desvio de recursos destinados à construção do muro na fronteira dos EUA com o México.
Ao anunciar a sentença, a juíza leu trechos de cartas enviadas por vítimas que afirmaram ter perdido as economias de uma vida inteira no esquema. Nos relatos, investidores descreveram episódios de ansiedade severa, vergonha e conflitos familiares provocados pelas perdas financeiras.
Em 2017, sua ex-assistente pessoal, Rui Ma, ajuizou uma ação de US$ 20 milhões na qual o acusa de mantê-la em cárcere privado, submetê-la a abusos sexuais e estuprá-la repetidamente em imóveis do empresário em Manhattan e Londres.
O caso alcança o lobista Paulo Figueiredo, um dos principais articuladores de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e figura central da pré-campanha de Flávio. Figueiredo aproximou Flávio de Marco Rubio e atua como uma espécie de ideólogo do bando.
Uma empresa de Figueiredo, a International Treasure Group, registrada na Flórida, é alvo de um processo que tramita no Tribunal de Falências do Distrito de Connecticut. A ação busca recuperar valores que teriam sido transferidos de forma fraudulenta por empresas controladas por Guo antes de sua declaração de falência.
Segundo documentos obtidos pela Agência Pública, a empresa de Paulo Figueiredo recebeu uma transferência de US$ 140 mil (cerca de R$ 770 mil, em valores da época), feita pela HCHK Technologies Inc., apontada como uma das empresas de fachada utilizadas pelo bilionário chinês.

Guo também é apontado pela Justiça americana como controlador da rede social Gettr, plataforma lançada por Jason Miller, ex-conselheiro de Donald Trump próximo de Eduardo Bolsonaro.
Paulo Figueiredo informou à Justiça dos EUA que trabalhou para a Gettr entre agosto de 2021 e abril de 2022, durante a expansão da plataforma no Brasil.
Documentos anexados ao processo mostram que Figueiredo participou de discussões estratégicas sobre a atuação política da rede social no país. Um relatório interno de dezembro de 2021 registra que ele sugeriu que a Gettr financiasse uma pesquisa eleitoral presidencial.
Os mesmos registros listam eventos bolsonaristas que poderiam receber patrocínio da plataforma, entre eles encontros promovidos pelo Instituto Conservador Liberal, ligado a Eduardo Bolsonaro, o Congresso Politicamente Incorreto, organizado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), e um congresso internacional de médicos realizado durante a pandemia, período em que a Gettr foi acusada de difundir desinformação sobre a Covid-19 e o chamado tratamento precoce.
Preso desde março de 2023, Guo sempre negou as acusações, com o mesmo discurso de Eduardo. Declarava-se perseguido pelo governo chinês e que seu objetivo ao se mudar para os Estados Unidos era “destruir o Partido Comunista Chinês”.
Paulo Figueiredo Filho e seu pai, Paulo Figueiredo, respectivamente neto e filho do ex-ditador João Figueiredo, tiveram os nomes inscritos na Dívida Ativa da União por não quitarem multas superiores a R$ 100 milhões aplicadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, conforme revelou o DCM.
Segundo a decisão da CVM, as irregularidades resultaram em um benefício financeiro superior a R$ 33 milhões para Paulo Figueiredo e seu pai.
Conforme apontam as autoridades da Comissão de Valores Mobiliários, em 2013, alguns empresários criaram um projeto para financiar a construção, até 2016, de um hotel. Montaram um FIP (Fundo de Investimento em Participações) e captaram recursos de entidades de previdência complementar. O hotel tornou-se funcional na data prevista, porém com diferenças em relação ao projeto original.
A ilegalidade central é de cometimento de operações fraudulentas com dois pilares: superavaliação do projeto, pelo que as cotas do FIP teriam sido vendidas por preço artificial e taxas de serviços no FIP pagas sobre PL (patrimônio líquido) artificial, e desvios de recursos feitos a partir da companhia detida pelo FIP (a empresa que operaria o hotel), por pagamentos substanciais a fornecedores ligados aos idealizadores do projeto e sem que tivessem prestado os serviços.





