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Tragédia na Espanha deixou ao menos 64 mortos e 80 feridos após colisão ferroviária

O cenário no local foi classificado como devastador pelos gestores dos municípios vizinhos. Jesús Pérez Martín, prefeito de Los Yébenes, relatou à emissora RTVE o quadro dramático enfrentado pelas equipes de socorro: “eles estão me contando sobre mutilações e ferimentos...

Tragédia na Espanha deixou ao menos 64 mortos e 80 feridos após colisão ferroviária

O acidente ocorreu no trecho entre as localidades de Mora e Orgaz, na região de Castilla La Mancha, pouco após as 9h no horário local (5h no horário de Brasília).

Uma grave colisão entre duas composições de alta velocidade deixou ao menos 64 mortos e 80 feridos no centro da Espanha nesta quarta-feira (28), provocando o bloqueio por tempo indeterminado da ligação ferroviária entre Madri e a região da Andaluzia.

Investigações preliminares detalhadas por uma fonte ligada às autoridades indicam que o comboio da operadora Iryo, no qual viajavam 147 pessoas, encontrava-se imobilizado nas proximidades de Toledo em razão de uma pane no sistema de sinalização, cumprindo determinação da Adif, estatal responsável pela gestão da malha ferroviária. Na sequência, a estrutura acabou atingida pela composição da operadora Renfe, que transportava 397 passageiros.

O impacto provocou o descarrilamento de diversos vagões. Registros da emissora regional Castilla La Mancha Television revelam o trem da Iryo fora dos trilhos, com partes dianteiras sobre a via e uma extensa área coberta por destroços, painéis destruídos e ferragens retorcidas em um aterro abaixo do nível da linha férrea.

A gravidade do choque foi narrada por passageiros que presenciaram a cena. Miguel, que ocupava o último vagão de um dos trens ao lado de colegas de trabalho, descreveu a força do impacto à rádio COPE: “ouvimos um estrondo enorme, um baque realmente gigantesco que durou 10 segundos, como se o trem estivesse prestes a descarrilar. Pela janela da direita, pudemos ver um trem destruído – imagino que deva ter sido o outro”.

Eduarda, que viajava na composição da Iryo, relatou à rádio Cadena SER o momento em que a colisão aconteceu e a dimensão dos danos observados na sequência. A passageira afirmou ter sentido um forte impacto que a arremessou para a frente, levando-a a acreditar, inicialmente, em uma frenagem brusca do sistema de emergência. O cenário real só ficou claro ao avistar feridos e receber ordem de evacuação: “eu vi pessoas mortas”, disse ela, acrescentando ter visto parte da composição pendurada na encosta e focos de incêndio em um dos vagões após conseguir descer o barranco.

O cenário no local foi classificado como devastador pelos gestores dos municípios vizinhos. Jesús Pérez Martín, prefeito de Los Yébenes, relatou à emissora RTVE o quadro dramático enfrentado pelas equipes de socorro: “eles estão me contando sobre mutilações e ferimentos muito graves”. Diante do fluxo intenso de socorridos, Manuel Galán, prefeito de Urda, informou ter sido acionado pelos serviços de emergência para disponibilizar e estruturar um ginásio poliesportivo municipal para o acolhimento das vítimas.

A tragédia mobilizou as principais lideranças políticas do país e do bloco europeu. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, teve sua agenda oficial inteiramente cancelada e manifestou-se publicamente: “estou chocado com o grave acidente de trem em Toledo. Meu carinho, solidariedade e apoio a todas as vítimas e suas famílias”. A oposição, por meio do Partido Popular, também suspendeu seus compromissos de campanha, enquanto a ministra da Saúde, Mónica García, apelou publicamente pela doação urgente de sangue.

No âmbito internacional, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que “hoje a Europa chora”, enquanto o presidente da França, Emmanuel Macron, lamentou o ocorrido definindo o fato como um “terrível drama ferroviário”.

O Itamaraty confirmou que acompanha os desdobramentos por meio da rede consular brasileira na Espanha e emitiu uma nota oficial de pesar: “o Brasil manifesta sua solidariedade ao povo e ao governo da Espanha, transmite suas sinceras condolências às famílias das vítimas e deseja pronta recuperação aos feridos. O Governo brasileiro está monitorando a situação por meio dos Consulados-Gerais do Brasil na Espanha, a fim de prestar a assistência consular cabível aos nacionais eventualmente afetados pela colisão dos trens”.

Até o momento, a circulação de trens no trecho que conecta a capital Madri a Ciudad Real e à região da Andaluzia permanece completamente suspensa, e as empresas Renfe e Iryo não emitiram posicionamentos oficiais sobre as circunstâncias da colisão.