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Aliado de Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo diz que mulher não sabe votar e é detonado por Soraya Thronicke: “defeca pela boca”

A senadora classificou Figueiredo como “traidor da pátria” e criticou o fato de ele viver nos Estados Unidos enquanto ataca instituições e mulheres no Brasil. Ela também afirmou que a violência política de gênero não atinge apenas uma vítima individual,...

Aliado de Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo diz que mulher não sabe votar e é detonado por Soraya Thronicke: “defeca pela boca”

“Este traidor da pátria, foragido da justiça brasileira, covarde, parvo, néscio, limítrofe, lerdo, acéfalo, não amado, medroso, inseguro, complexado por não conseguir ser ninguém além de neto de um ditador, resolve, lá dos EUA, defecar pela boca… Independente de quem seja a mulher atacada, se mexeu com uma, mexeu com TODAS”, escreveu Soraya na rede social X. 

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) reagiu com dureza à declaração de Paulo Figueiredo contra o voto feminino e acionou a Procuradoria-Geral da República para pedir providências contra o jornalista, que é aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República. Em postagem nas redes sociais, a parlamentar afirmou que ataques a mulheres no debate público configuram violência política de gênero e cobrou abertura de ação penal.

“Este traidor da pátria, foragido da justiça brasileira, covarde, parvo, néscio, limítrofe, lerdo, acéfalo, não amado, medroso, inseguro, complexado por não conseguir ser ninguém além de neto de um ditador, resolve, lá dos EUA, defecar pela boca… Independente de quem seja a mulher atacada, se mexeu com uma, mexeu com TODAS”, escreveu Soraya na rede social X.

A manifestação de Soraya Thronicke ocorreu após Paulo Figueiredo, um dos nomes mais próximos do bolsonarismo, publicar ataques às mulheres e ao exercício do voto feminino. A fala ampliou a crise política em torno de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, que já enfrenta desgaste com o eleitorado feminino.

No Brasil, existem 156,7 milhões de eleitores, de acordo com números divulgados em abril pelo Tribunal Superior Eleitoral. Os dados são referentes a março. São 82,8 milhões de mulheres aptas a votar e 73,9 milhões de homens habilitados a participar das votações. As eleitoras representam 52,8% do total.

“A violência política de gênero ultrapassa a figura da ofendida e ataca todas nós, e é por isso que acabo de oficiar a @MPF_PGR para que inicie a ação penal o quanto antes, e que o proíba de se comunicar publicamente via redes sociais e outros meios de comunicação. O Brasil não é os EUA, seu covarde! Aqui nós exigimos soberania. Aqui não é terra sem lei, seu zé ninguém (com letra minúscula mesmo)!”.

A senadora informou que oficiou a PGR para que o órgão inicie a ação penal “o quanto antes”. A senadora também pediu que Figueiredo fique proibido de se comunicar publicamente por redes sociais e outros meios de comunicação.

A reação ocorre em meio à repercussão de declarações de Paulo Figueiredo contra mulheres. O aliado bolsonarista afirmou que mulheres “votam muito mal” e, depois da divulgação da fala pela imprensa, publicou uma imagem com a frase: “Mulher vota mal para caralho. Mude a minha opinião”.

O senador da extrema direita atravessa um momento de desgaste com o eleitorado feminino após declarações de um aliado contra o voto das mulheres. A crise do parlamentar da extrema-direita ocorre em meio a uma disputa interna que também envolve a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), duas das principais figuras femininas no cenário político da direita.

As declarações intensificaram a pressão sobre Flávio Bolsonaro, que não se manifestou de forma pública contra os ataques do aliado. O silêncio do senador passou a alimentar críticas de adversários e de setores que veem nas falas de Figueiredo um gesto de desprezo ao eleitorado feminino.

O episódio também ocorre em meio a atritos internos na direita envolvendo Michelle Bolsonaro e a senadora Damares Alves. As duas têm forte presença política entre mulheres conservadoras e aparecem no centro da disputa por influência dentro do campo bolsonarista.

Ao enquadrar o caso como violência política de gênero, Soraya buscou ampliar o alcance jurídico e político da reação. A senadora argumentou que o ataque não deve depender apenas da iniciativa de uma vítima específica, pois atinge a participação das mulheres na vida pública e no processo eleitoral.