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Lula promete ‘tirar os bandidos do território’ sem ‘matar 100, 200’

Em outubro, uma operação das forças de segurança do Rio de Janeiro nos complexos do Alemão e da Penha, na capital fluminense, deixou mais de 120 mortos. Foi a ação mais letal da história do estado.

Lula promete 'tirar os bandidos do território' sem 'matar 100, 200'

“Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 100, 200, não. Nós vamos prendê-los”, disse Lula. Em seguida, repetiu que ruas, vilas, escolas e estabelecimentos comerciais pertencem à população, “não aos bandidos”.

O presidente Lula (PT) prometeu neste sábado (22) retomar áreas controladas por facções criminosas no Rio de Janeiro caso seja reeleito. Em ato de campanha no estádio do Bangu, na Zona Oeste da capital, o petista afirmou que a estratégia será ocupar os territórios, prender criminosos e devolver à população espaços hoje submetidos ao poder de grupos armados.

“Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 100, 200, não. Nós vamos prendê-los”, disse Lula. Em seguida, repetiu que ruas, vilas, escolas e estabelecimentos comerciais pertencem à população, “não aos bandidos”. A declaração coloca a segurança pública no centro da campanha do presidente em um estado onde o controle territorial exercido por facções e milícias se tornou um dos principais problemas políticos e sociais.

Lula vinculou a promessa à PEC da Segurança Pública, proposta enviada pelo governo ao Congresso e já aprovada pela Câmara. O texto reorganiza a estrutura nacional do setor, amplia a cooperação entre União, estados e municípios e cria novas regras para o enfrentamento de organizações criminosas. O presidente voltou a afirmar que pretende recriar o Ministério da Segurança Pública caso a proposta também seja aprovada pelo Senado e disse que quer reforçar a preparação da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

A segurança é uma das áreas exploradas pela oposição para tentar desgastar Lula na disputa presidencial. O petista procura responder apresentando uma linha que combina repressão às organizações criminosas, maior participação federal e políticas sociais. No mesmo discurso, resumiu essa segunda frente ao afirmar que prefere gastar recursos com educação a ampliar o sistema prisional: “Ou investe em escola hoje ou tem que investir em cadeia amanhã”.

Lula também aproveitou o ato para atacar diretamente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Disse que o eleitor terá de escolher entre um presidente que quer garantir o acesso da população ao litoral e um adversário que, segundo ele, “quer vender as praias para que o povo não possa mais andar nas praias”. A provocação fez referência à PEC 3/2022, conhecida no debate político como “PEC das Praias”, relatada por Flávio no Senado.a

 

A proposta não prevê literalmente a venda da faixa de areia das praias. Ela altera o regime dos chamados terrenos de marinha, áreas atualmente pertencentes à União localizadas na faixa costeira, permitindo a transferência de parte delas a estados, municípios e particulares que já as ocupam. Flávio defende o projeto como uma forma de regularização patrimonial e nega que ele possa impedir o acesso público às praias.

r segurança e a disputa sobre o litoral no mesmo discurso, Lula procurou estabelecer dois contrastes com o principal adversário: apresentou sua estratégia contra as facções como uma retomada de territórios pelo Estado sem operações tratadas como espetáculo e associou Flávio a uma proposta que transfere patrimônio da União na costa. No Rio, onde os dois temas têm impacto direto sobre a vida cotidiana, o presidente deixou claro que pretende levá-los para o confronto eleitoral.