
É de doer ouvir nesta Casa que ‘a esquerda protege bandido’. Nós não protegemos bandidos — nós protegemos as famílias decentes, aquelas que limpam a casa dos senhores e das senhoras, que cuidam dos seus cachorros, dos seus filhos. São essas pessoas que nós defendemos. E elas moram lá porque não podem morar no palácio onde nós moramos”.
A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) se levantou de maneira indignada nesta terça-feira (28), contra a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que deixou mais de 60 mortos.
Em fala histórica na Câmara dos Deputados, ela lamentou as mortes de policiais, agentes de segurança e civis e lembrou que, “se há uma pessoa que não é inocente no Estado do Rio de Janeiro, é o governador do estado”, se referindo a Cláudio Castro (PL), responsável pela operação.
“Quem está falando aqui é alguém que morou no morro por 57 anos da minha vida”, destacou. “Não pode ser natural você ir para um território onde há milhares de pessoas e querer fazer uma operação a céu aberto, colocando as famílias em pânico, as crianças fora da escola. Qual é o resultado dessa megaoperação?”
Benedita alertou ainda que “é de doer, pra gente. É de doer ouvir nesta Casa que ‘a esquerda protege bandido’. Nós não protegemos bandidos — nós protegemos as famílias decentes, aquelas que limpam a casa dos senhores e das senhoras, que cuidam dos seus cachorros, dos seus filhos. São essas pessoas que nós defendemos. E elas moram lá porque não podem morar no palácio onde nós moramos”.
“Foram mortos mais de 64, e eu tenho certeza de que há mais por aí. Foram policiais, foram agentes de segurança pública, foram pessoas inocentes. Mas vocês não acreditam que existam pessoas inocentes”, reagiu. “E, se há uma pessoa que não é inocente no Estado do Rio de Janeiro, é o governador do estado. O governador do estado!”. Afirmou se referindo a Cláudio Castro.
A deputada, visivelmente emocionada, encerrou:
“Gente, eu digo isso com muita tristeza no meu coração. Dá muita vergonha, aos meus 83 anos de idade, continuar sofrendo pelo meu povo. Não moro mais no morro, mas eu sinto a dor.
Eu saí da favela, mas ela não saiu de mim. Eu conheço a dor daquela gente, conheço a maldade e a perversidade de quem governa e não sabe governar.”
Veja abaixo
O meu discurso é de quem morou 57 anos na favela e conhece a dor e o desespero dos moradores quando ocorre uma operação policial desastrosa e a maldade e a perversidade de quem não sabe governar. pic.twitter.com/vygIKSW8wD
— Benedita da Silva (@dasilvabenedita) October 29, 2025





