
De acordo com o Ministério Público Federal, Karolina teria sido “destinatária dos recursos de origem criminosa que Rowles pretendia omitir”, recebendo R$ 271 mil entre 2020 e 2021
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, doou um apartamento de R$ 4,3 milhões na região da Faria Lima, em São Paulo, para uma influencer que é ré por lavagem de dinheiro e que diz ser “sugar baby” —jovens que se relacionam com homens mais velhos em troca de benefícios financeiros.
Karolina Trainotti, 29, que recebeu a doação, foi denunciada em 2023 por lavagem de dinheiro em favor de Rowles Magalhães, réu por tráfico internacional de cocaína.
De acordo com o Ministério Público Federal, Karolina teria sido “destinatária dos recursos de origem criminosa que Rowles pretendia omitir”, recebendo R$ 271 mil entre 2020 e 2021. A influenciadora nega irregularidades e alega que os depósitos estavam associados ao relacionamento que mantinha com o acusado. Desde 2023, ela é representada pelo advogado Eugênio Pacelli, que também atua em causas de interesse de Vorcaro.
A doação foi oficializada em dezembro de 2024 sem menção direta ao banqueiro, mas registros indicam que o apartamento havia sido adquirido em 2020 por uma empresa de Vorcaro, a Viking Participações. Em 2024, o imóvel foi transferido para a Super Empreendimentos e Participações, sociedade anônima que concentra bens vinculados ao empresário, incluindo sua residência de R$ 36 milhões em Brasília e o apartamento de R$ 50 milhões onde vive em São Paulo. O grupo já teve como diretor um cunhado do banqueiro.
Moradora do apartamento, Karolina Trainotti mantém cerca de 34 mil seguidores no Instagram e costuma publicar viagens a destinos de luxo, como Sardenha, Míconos e roteiros nacionais. Procurada, ela não respondeu. Seu advogado afirmou que a cliente não comentaria a doação. Vorcaro também não se manifestou.
O banqueiro foi preso preventivamente em novembro sob suspeita de participar de uma fraude envolvendo uma operação de R$ 12 bilhões com o BRB. Ele foi solto 12 dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
A denúncia que envolve Karolina Tramita na Justiça Federal da Bahia e descreve um esquema de dólar-cabo, mecanismo usado por doleiros para movimentar recursos de origem ilícita. As investigações apontam que parte dos valores encaminhados à influenciadora teria vindo do tráfico de cocaína na Europa.
A quebra de sigilo identificou repasses que totalizam R$ 271 mil, incluindo operações encomendadas por Rowles a um doleiro. Segundo relatou o operador, “ele chegava e passava as contas da família dele (…) e da amante, que era a Karolina”. Em mensagens de 2020, ao ser questionado sobre valores necessários, Rowles respondeu: “uns 15 mil daí”, quantia que foi depositada no mesmo dia.
Para o MPF, “a forma como as transações foram realizadas não deixa dúvida acerca da intenção de ocultação da origem, localização, disposição, movimentação e propriedade de valores oriundos do tráfico internacional de drogas”. A defesa sustenta que Karolina recebia uma mesada na condição de “sugar baby” e “nunca soube do suposto tráfico de drogas imputado aos corréus”.





