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Operação da PF acha R$ 4 milhões em espécie em casas de auditores da Receita

De acordo com a Receita Federal, a investigação identificou cerca de 17 mil Declarações de Importação com indícios de irregularidades, correspondentes a R$ 86,6 bilhões em mercadorias entre julho de 2021 e março de 2026.

Operação da PF acha R$ 4 milhões em espécie em casas de auditores da Receita

A Receita aponta que o grupo atuava em três frentes. A primeira envolvia o desembaraço direto de mercadorias nos canais vermelho e cinza, de maior rigor fiscal.

A Polícia Federal encontrou valores em dinheiro vivo com servidores da Receita Federal durante a “Operação Mare Liberum”, deflagrada nesta terça-feira (28) contra um esquema de corrupção na fiscalização aduaneira do Porto do Rio de Janeiro. A apuração mira a facilitação de contrabando e descaminho por servidores públicos, despachantes e empresários.

Investigadores localizaram cerca de R$ 1 milhão em um endereço de uma auditora da Receita na Barra da Tijuca. Com um auditor em Niterói, foram apreendidos US$ 200 mil, cerca de R$ 1,1 milhão. Com uma terceira servidora, os agentes encontraram quase US$ 360 mil, aproximadamente R$ 2 milhões.

A operação cumpre 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Também foram determinados o afastamento de 17 auditores fiscais e oito analistas tributários, medidas de bloqueio de bens e restrições a atividades profissionais de nove despachantes.

De acordo com a Receita Federal, a investigação identificou cerca de 17 mil Declarações de Importação com indícios de irregularidades, correspondentes a R$ 86,6 bilhões em mercadorias entre julho de 2021 e março de 2026. O órgão afirma que as cargas eram liberadas mesmo com inconsistências graves entre os produtos declarados e os efetivamente importados.

A apuração também identificou reversões indevidas de penas de perdimento, falta de cobrança de tributos e multas, redistribuição de processos e cobrança a menor de impostos. Segundo a Receita, o pagamento de propina era “prática corrente e estruturada” no esquema, com valores estimados na casa das dezenas de milhões de reais.

Os investigados poderão responder por corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro. A Receita afirma que as investigações começaram em fevereiro de 2022, a partir de controles internos da Corregedoria e denúncias recebidas institucionalmente.