
Em discurso durante o Fórum Esfera, realizado no Guarujá (SP) no último sábado (23), Huck atacou o programa alegando que ele não cria incentivos eficazes para que os beneficiários deixem a política social, levando-os a buscar “atalhos para se manter no programa”.
Apesar do diagnóstico de Luciano Huck, que disse que o Bolsa Família é “ineficiente” e “não gera nenhum tipo de estímulo” para os beneficiários, o programa teve um papel importante para que o Brasil alcançasse o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de sua história. O resultado foi divulgado nesta terça (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), órgão da ONU responsável pelo estudo.
Pela primeira vez, o país atingiu a faixa de desenvolvimento humano muito alto. O IDH brasileiro passou de 0,744, registrado em 2012, para 0,805 em 2024. Entre os três componentes que formam o indicador (saúde, educação e renda), o segundo foi o que apresentou o maior avanço no período analisado.
O indicador educacional saltou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024, deixando de ser o pior componente do índice e tornando-se o segundo melhor resultado nacional. Para a economista Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, parte desse avanço está diretamente ligada às políticas públicas implementadas nas últimas décadas.
“Eu vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira, que começou fortemente no início do século 21, e que começa a produzir efeitos, dez anos depois. É aí que há essa observação dos indicadores de educação que avançam”, afirmou a pesquisadora, que participou da elaboração do relatório.
Segundo Barbosa, as regras do Bolsa Família que condicionam o recebimento do benefício à matrícula e à frequência escolar das crianças e adolescentes estão entre os fatores centrais para a melhora dos indicadores.
Atualmente, beneficiários de 4 a 6 anos incompletos precisam manter frequência mínima de 60%, enquanto aqueles entre 6 e 18 anos incompletos devem atingir ao menos 75%.
A análise do PNUD mostrou que os maiores avanços educacionais ocorreram justamente entre as faixas de renda mais baixas da população. “Quando a gente desagrega os dados por décimo de renda, ou seja, os 10% mais pobres, depois os 20% mais pobres, [onde há maior] importância desses programas: nesses décimos de renda é onde você vê a melhoria dos indicadores de educação, nesse período”, explicou.
Para a economista, o programa contribui para afastar crianças e adolescentes do trabalho precoce e garantir sua permanência na escola. “É o programa Bolsa Família que retira uma quantidade enorme de crianças do mundo do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também de, estar na escola, porque senão esse programa é interrompido”, apontou.
Apesar dos avanços na educação, Barbosa avalia que o desafio agora é transformar esse progresso em melhoria de renda e inclusão econômica.
“Na educação, a gente está crescendo, e essa tendência vai ser extrapolada. Por quê? Porque tem programas sociais que dão a base para que, pelo menos na capacidade básica da educação, como ensino fundamental e médio, essas famílias consigam manter seus jovens nessa trajetória. Mas qual vai ser o pacto aqui, em torno da economia? Qual vai ser o pacto em torno da capacidade de investimento como coletivo?”, questionou.
Em discurso durante o Fórum Esfera, realizado no Guarujá (SP) no último sábado (23), Huck atacou o programa alegando que ele não cria incentivos eficazes para que os beneficiários deixem a política social, levando-os a buscar “atalhos para se manter no programa”.
“Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas criam um monte de atalhos para conseguir ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad aeternum. A gente precisa criar um estímulo”, disse o apresentador e empresário.





