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Miriam Leitão vê “patriotismo pelo avesso” no bolsonarismo e cobra Flávio Bolsonaro sobre milícias

Miriam também cita Tarcísio de Freitas, que usou boné com o lema “Make America Great Again”, e associa esse gesto à lógica trumpista de favorecer os Estados Unidos em detrimento de outros países.

Miriam Leitão vê “patriotismo pelo avesso” no bolsonarismo e cobra Flávio Bolsonaro sobre milícias

A colunista afirma que o episódio expõe um “patriotismo pelo avesso” e lembra cenas recentes de bolsonaristas estendendo bandeiras dos Estados Unidos na Avenida Paulista em pleno 7 de Setembro.

Miriam Leitão criticou, em coluna no Globo, a comemoração bolsonarista da decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Para a jornalista, a direita que se apresenta como dona do patriotismo passou a celebrar uma medida que pode trazer riscos legais, econômicos e institucionais ao Brasil.

A colunista afirma que o episódio expõe um “patriotismo pelo avesso” e lembra cenas recentes de bolsonaristas estendendo bandeiras dos Estados Unidos na Avenida Paulista em pleno 7 de Setembro. Miriam também cita Tarcísio de Freitas, que usou boné com o lema “Make America Great Again”, e associa esse gesto à lógica trumpista de favorecer os Estados Unidos em detrimento de outros países.

No centro da crítica está Flávio Bolsonaro, que tratou a decisão de Donald Trump como vitória política após sua viagem aos Estados Unidos. Miriam afirma que o senador tenta usar o repúdio às facções criminosas como palanque, mas ignora as consequências práticas da medida e mantém silêncio sobre as milícias no Rio de Janeiro.

Trecho extraído da coluna de Miriam Leitão 

É um patriotismo pelo avesso. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, chegou a colocar o boné com a marca “Make America Great Again” na época da posse de Donald Trump. Mas já estava claro para qualquer pessoa que, na visão trumpista, os Estados Unidos só podem ser grandes em detrimento de outros países. A conta não tardou muito, em abril do ano passado, o presidente norte-americano anunciou o tarifaço contra o mundo. O Brasil ficou com uma das maiores tarifas e elas feriram duramente as empresas do estado governado por Tarcísio. Foi o governo Lula que dissolveu a maior parte desse ônus para a economia brasileira. […]

O pré-candidato a presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

[…] O senador Flávio Bolsonaro comemorou a decisão do governo Trump como uma vitória política. O ato é visto como uma tábua de salvação para uma candidatura que está em apuros pela revelação da intimidade que ele mantinha com o banqueiro corruptor Daniel Vorcaro. Como a decisão do governo americano ocorreu logo após seu encontro com o presidente dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro pode reivindicar autoria do atentado.

O Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital são de fato terríveis organizações, extremamente perigosas, que se expandem. Qualquer pessoa pode se sentir ameaçada pelo terror que elas espalham com suas ações e concluir que faz sentido defini-las como terroristas. Não é a definição em si o problema, e sim o que isso implica do ponto de vista legal.

Há um fio que liga as patriotadas do governo militar e o comportamento dos líderes bolsonaristas. Tanto na ditadura quanto agora, a direita declara ser a detentora única do amor à pátria quando na verdade é capaz das maiores traições. Tanto o ataque ao patrimônio natural do país, quanto os acordos entreguistas que beneficiam outros países em detrimento do Brasil. Têm ainda em comum a devoção à potência estrangeira.”