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Reportagem da Piauí revela que Vorcaro pagou férias de R$ 2 milhões para Ciro Nogueira

A publicação também relata que Ciro e Vorcaro se tornaram parceiros de negócios em 2024, por meio de uma operação envolvendo a Green Investimentos. A empresa de Ciro teria comprado uma fatia de 30% da Green por R$ 1 milhão,...

Reportagem da Piauí revela que Vorcaro pagou férias de R$ 2 milhões para Ciro Nogueira

Reportagem da Revista Piauí publicada nesta terça-feira (2) revela que Daniel Vorcaro, banqueiro ligado ao caso Master, teria bancado férias de quase R$ 2 milhões para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em Courchevel, luxuosa estação de esqui nos Alpes franceses.

Reportagem da Revista Piauí publicada nesta terça-feira (2) revela que Daniel Vorcaro, banqueiro ligado ao caso Master, teria bancado férias de quase R$ 2 milhões para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em Courchevel, luxuosa estação de esqui nos Alpes franceses. A viagem, segundo a revista, entrou no radar da Polícia Federal dentro da investigação sobre a relação entre o parlamentar e o banqueiro.

Ciro Nogueira e Flávia Rosalen passaram treze dias em Courchevel, entre 12 e 25 de janeiro de 2025, com despesas custeadas por Daniel Vorcaro. A revista afirma que o custo total da viagem chegou a R$ 1.849.201, valor apurado pela PF no âmbito das investigações que analisam a proximidade entre o senador e o banqueiro.

A publicação descreve Courchevel como um dos destinos mais exclusivos dos Alpes franceses, frequentado por milionários e conhecido por hotéis de alto padrão e restaurantes estrelados. Ciro e Flávia viajaram do Aeroporto de Guarulhos para Paris e seguiram depois para a estação de esqui, onde ficaram hospedados em hotel de luxo e frequentaram restaurantes caros.

A Piauí afirma que Vorcaro também participou da viagem, acompanhado de Martha Graeff, sua noiva à época. Em uma das imagens mencionadas pela reportagem, o banqueiro aparece abraçado a Ciro Nogueira em meio à paisagem nevada de Courchevel. A fotografia foi encontrada pela PF no celular de Vorcaro.

Além das férias na neve, a reportagem menciona outros pontos investigados pela PF, entre eles suspeitas envolvendo pagamentos, uso de imóveis, despesas pessoais, viagens, emendas parlamentares e influência política em favor de interesses ligados ao Banco Master. A revista afirma ter tido acesso a mais de sessenta páginas do relatório da PF, com registros de datas, mensagens, fotos, deslocamentos e operações financeiras.

Segundo a Piauí, a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro já vinha sendo observada antes da viagem a Courchevel. A reportagem cita um documento do Coaf que apontou depósitos feitos pela empresa BRGD, ligada à família de Vorcaro, em favor da CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa associada à família do senador. De agosto de 2023 a agosto de 2024, os repasses teriam somado R$ 902 mil, considerados atípicos pelo órgão.

A publicação também relata que Ciro e Vorcaro se tornaram parceiros de negócios em 2024, por meio de uma operação envolvendo a Green Investimentos. A empresa de Ciro teria comprado uma fatia de 30% da Green por R$ 1 milhão, embora a participação fosse avaliada em valor superior. A transação, segundo a revista, chamou a atenção de André Mendonça e entrou na cronologia analisada pelos investigadores.

Outro ponto destacado pela reportagem é a suspeita de pagamentos recorrentes ao senador. A Piauí afirma que mensagens obtidas pela PF indicariam discussões sobre valores mensais de R$ 300 mil e, posteriormente, R$ 500 mil. A forma como esses recursos teriam sido pagos e incorporados ainda estaria sob investigação.

A revista também menciona o uso de imóveis ligados a Vorcaro. Em mensagens reproduzidas pela reportagem, Ciro teria tratado com o banqueiro sobre a permanência temporária em um apartamento de sua propriedade em São Paulo, enquanto aguardava a conclusão de obras em outro imóvel. A Piauí apresenta o episódio como parte de um conjunto de benefícios analisados pela investigação.

A reportagem cita ainda despesas de restaurantes pagas com cartão de crédito ligado a Vorcaro. Segundo a publicação, uma conversa envolvendo um operador de logística do banqueiro nos Estados Unidos indicaria que contas de restaurantes de Ciro e Flávia deveriam continuar sendo quitadas durante viagem ao exterior. Para a revista, o episódio reforça a suspeita de que o banqueiro custeava despesas pessoais do senador.

No campo político, a Piauí afirma que a investigação também analisa atos de ofício atribuídos a Ciro Nogueira. Um dos pontos centrais é a chamada “Emenda Master”, apresentada em agosto de 2024, que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura para investidores em caso de quebra de instituição financeira. A proposta atendia aos interesses do Banco Master e teria sido redigida pela assessoria do próprio banco.

Ciro Nogueira, por sua vez, já havia negado irregularidades em sua relação com Vorcaro. Em entrevista citada pela reportagem, o senador afirmou que não teria tratado de assuntos do Banco Master nem feito gestões para encobrir problemas. Em outra ocasião, ao comentar a exposição de seu nome em mensagens do banqueiro, disse esperar que o Ministério Público e a PF esclarecessem o episódio.

A Piauí também relembra uma entrevista concedida por Ciro a um telejornal de Teresina, em março, quando o senador destacou sua influência no cenário nacional e sua proximidade com grandes empresários. “Sem falsa modéstia, você sabe que eu me tornei um dos homens mais influentes da política nacional. Eu conheço todos os grandes empresários do nosso país. Todos”, afirmou.

Na mesma entrevista, segundo a revista, Ciro tratou a proximidade com empresários como parte natural de sua atuação política. O senador disse que grandes nomes do setor privado já o procuraram em Brasília, o convidaram para eventos, palestras e jantares. A fala foi dada uma semana depois de vir a público uma mensagem em que Vorcaro se referia a Ciro como “um dos meus grandes amigos de vida”.