
O ministro escreveu que a apuração não demonstrou, até este momento, a necessidade de medidas nos endereços funcionais de Wagner. Segundo ele, não há indícios suficientes de que os locais abriguem documentos, mídias ou registros ligados ao Caso Master.
O ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal, negou o pedido da Polícia Federal para incluir o gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, entre os alvos da operação de busca e apreensão deflagrada nesta quinta-feira (18/6).
Mendonça também rejeitou buscas no escritório de apoio do senador na Bahia. Na decisão, o ministro afirmou que a entrada da PF em dependências do Senado exigiria “a existência de elementos indicativos de que, naquele espaço funcional, se encontrem provas indispensáveis” à investigação.
O ministro escreveu que a apuração não demonstrou, até este momento, a necessidade de medidas nos endereços funcionais de Wagner. Segundo ele, não há indícios suficientes de que os locais abriguem documentos, mídias ou registros ligados ao Caso Master.
“No caso, os elementos até aqui reunidos não evidenciam, com o grau de probabilidade necessário a justificar a invasividade da medida, que o gabinete parlamentar, no Senado Federal, ou mesmo o escritório de apoio (no estado de origem), abrigue documentação, mídias ou registros com aptidão para repercutir de modo relevante no desenvolvimento da atividade probatória. Portanto, ausente, neste momento, a demonstração concreta da necessidade da medida nesse ambiente específico, impõe-se o indeferimento do pedido quanto aos endereços funcionais indicados”, escreveu Mendonça.

A Polícia Federal passou a investigar Wagner a partir de mensagens extraídas do celular do banqueiro Augusto Lima. Os investigadores apontam que o material indicaria uma possível atuação do senador no Congresso em favor do Banco Master.
Entre as condutas sob suspeita estão a articulação do parlamentar em apoio a uma proposta de ampliação do crédito consignado e outra medida conhecida nos bastidores como “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A PF suspeita que Wagner possa ter recebido vantagens indevidas como contrapartida. A apuração cita, entre os benefícios investigados, um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e outras regalias que somariam ao menos R$ 3 milhões.
Mendonça adotou a mesma posição em relação a Ciro Nogueira, amigo pessoal de Daniel Vorcaro, em outra frente da operação: o ministro também poupou o gabinete do senador no Senado. Com o indeferimento, as buscas não alcançam, neste momento, os endereços funcionais de Jaques Wagner indicados no pedido da PF.





