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“Ratos”: embaixador aliado de Trump provoca crise diplomática na América Latina

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, pelo menos quatro diplomatas de alto escalão deixaram seus cargos nos últimos meses, incluindo o vice-chefe da missão, o chefe de gabinete, um conselheiro político sênior e outro integrante do serviço diplomático.

“Ratos”: embaixador aliado de Trump provoca crise diplomática na América Latina

Em um episódio citado por integrantes da missão, o embaixador teria comparado funcionários que levaram preocupações diretamente à liderança do Departamento de Estado a “ratos”.

Uma onda de demissões e saídas voluntárias atingiu a missão diplomática dos Estados Unidos junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), em meio a conflitos internos envolvendo o embaixador Leandro Rizzuto Jr., aliado pessoal do presidente Donald Trump.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, pelo menos quatro diplomatas de alto escalão deixaram seus cargos nos últimos meses, incluindo o vice-chefe da missão, o chefe de gabinete, um conselheiro político sênior e outro integrante do serviço diplomático. As baixas representam praticamente toda a liderança da representação americana na entidade sediada em Washington.

Fundada em 1948, a OEA é o principal organismo multilateral das Américas, atuando em áreas como democracia, direitos humanos, segurança regional e desenvolvimento econômico. A organização teve papel importante na mediação de crises políticas e processos eleitorais na América Latina, além de servir como fórum para condenações internacionais a violações de direitos humanos em países como Cuba e Nicarágua.

As saídas refletem a transformação promovida pela administração Trump na diplomacia americana, marcada pela substituição ou afastamento de diplomatas de carreira e por uma postura mais crítica em relação a instituições multilaterais.

Em entrevista à Reuters, Rizzuto confirmou que diplomatas experientes foram demitidos ou pediram desligamento, mas rejeitou as críticas. Segundo ele, sua gestão busca redirecionar o foco da OEA, reduzindo a ênfase em temas como democracia e direitos humanos e ampliando a atenção a questões econômicas.

“Sou um homem de negócios. O que importa são os resultados. Se alguém não consegue fazer o trabalho, prefiro que tenha outro emprego”, afirmou.

Sede da OEA em Washington. Foto: Eric Lee/Reuters

O Departamento de Estado não respondeu aos questionamentos da agência sobre os conflitos internos.

Posteriormente, foi nomeado para um posto diplomático nas Bermudas e, já no segundo mandato de Trump, conseguiu confirmação para assumir a representação dos Estados Unidos na OEA.

Segundo três fontes, após assumir o cargo, Rizzuto mandou instalar um grande retrato a óleo de si próprio no salão principal da missão americana junto à organização. O embaixador não respondeu aos questionamentos sobre o episódio.

As mudanças na OEA ocorrem em um momento em que Trump busca reforçar a influência dos Estados Unidos na América Latina, ao mesmo tempo em que demonstra desconfiança em relação a organismos multilaterais. Desde seu retorno à Casa Branca, a administração republicana promoveu uma ampla reformulação do corpo diplomático americano. Centenas de funcionários foram dispensados em cortes coletivos e dezenas de embaixadores de carreira perderam seus cargos, muitos deles sem substituição imediata.