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Número de mortos na Venezuela após terremotos se aproxima de 600

Equipes técnicas, militares e especialistas em resgate de 17 países chegaram à Venezuela nas últimas horas. Entre os países que enviaram apoio estão Brasil, Estados Unidos, El Salvador, México e Suíça. A mobilização internacional se soma ao trabalho de bombeiros,...

Número de mortos na Venezuela após terremotos se aproxima de 600

Em Caracas, equipes foram vistas trabalhando durante a madrugada em pontos afetados pelos tremores. Em La Guaira, região ao norte da capital venezuelana, a destruição foi ainda mais severa.

Os terremotos na Venezuela deixaram ao menos 589 mortos, segundo novo balanço divulgado pela presidente interina Delcy Rodríguez nesta sexta-feira (26), enquanto equipes de resgate nacionais e internacionais tentam localizar sobreviventes sob os escombros após os abalos registrados na noite de quarta-feira (24), informa a AFP.

A nova contagem anunciada pelo governo venezuelano mais que dobrou o número divulgado anteriormente por Caracas, que era de 265 vítimas fatais. A tragédia ocorre em meio à chegada de ajuda humanitária enviada por diversos países, em uma operação considerada crítica nas primeiras 72 horas após os tremores.

Equipes técnicas, militares e especialistas em resgate de 17 países chegaram à Venezuela nas últimas horas. Entre os países que enviaram apoio estão Brasil, Estados Unidos, El Salvador, México e Suíça. A mobilização internacional se soma ao trabalho de bombeiros, integrantes da Defesa Civil, militares venezuelanos e voluntários que atuam nas áreas mais atingidas.

Em Caracas, equipes foram vistas trabalhando durante a madrugada em pontos afetados pelos tremores. Em La Guaira, região ao norte da capital venezuelana, a destruição foi ainda mais severa. Segundo fontes locais, mais de 100 edifícios desabaram ou foram gravemente comprometidos.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USGS, estimou uma probabilidade de 39% de que o número total de mortos possa ficar entre mil e 10 mil, diante da magnitude da destruição e da densidade populacional das áreas atingidas.

O Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos divulgou imagem do general Kevin J. Jarrard em território venezuelano e informou que ele será o responsável por coordenar a atuação das Forças Armadas americanas no apoio às operações humanitárias.

A tragédia provocou uma onda de solidariedade internacional. Suíça, Espanha, França, Portugal e México enviaram especialistas em resgate. China, Índia, Brasil e Irã também ofereceram assistência. O papa Leão XIV destinou uma primeira contribuição de 100 mil euros, equivalente a cerca de R$ 591 mil, para auxiliar as vítimas.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou estar “profundamente entristecido” com a dimensão da catástrofe. A ONU também prometeu prestar apoio logístico e humanitário ao governo venezuelano.

Enquanto as equipes avançam sobre os escombros, familiares buscam informações sobre desaparecidos. Plataformas digitais criadas para registrar pessoas sem contato receberam milhares de nomes, embora ainda não haja confirmação de que todos estejam soterrados. Parte dos registros pode envolver pessoas incomunicáveis devido ao colapso de serviços e à desorganização provocada pelos terremotos.

Na quinta-feira, quando o balanço oficial ainda apontava 265 mortos, o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, afirmou que mais de 200 pessoas estariam sob os destroços. O número passou a ser reavaliado à medida que novas vítimas foram identificadas e informações de campo chegaram às autoridades.

Em La Guaira, moradores relataram cenas de desespero durante as buscas. “Ele está aqui”, disse, entre lágrimas, Alessandro del Giudice, de 23 anos, ao tentar encontrar o pai sob uma montanha de escombros. Ao lado dele, sua avó, Amparo, tentava retirar partes das ruínas com as próprias mãos.

O vice-presidente setorial de Obras Públicas e Serviços da Venezuela, Juan José Ramírez, afirmou em entrevista à TV pública que as operações envolvem diferentes tipos de maquinário e pediu que a população permita o trabalho das equipes especializadas.

“Muitas vezes, voluntários que tentam ajudar podem, na verdade, piorar a situação”, disse Ramírez. Segundo ele, a prioridade das autoridades neste momento é “salvar vidas”.

Os tremores são considerados os mais graves registrados na Venezuela em mais de um século. A devastação atingiu áreas urbanas densamente povoadas e colocou o país diante de uma das maiores operações de resgate de sua história recente.