
Segundo Wagner, a divulgação da imagem contrariou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que a diligência fosse realizada “de forma discreta” em razão do caráter sigiloso da investigação.
Um dia após deixar a liderança do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que reclamou ao presidente Lula sobre a forma como a Polícia Federal conduziu a operação que teve como alvo seu apartamento funcional em Brasília.
Em entrevista para a Folha de S. Paulo concedida na quinta-feira (25), na Bahia, o parlamentar criticou a divulgação da fotografia das cédulas de moeda estrangeira apreendidas durante a busca e apreensão.
Segundo Wagner, a divulgação da imagem contrariou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que a diligência fosse realizada “de forma discreta” em razão do caráter sigiloso da investigação.
O senador afirmou que a exposição remete a práticas adotadas durante a Operação Lava Jato e defendeu que a direção da Polícia Federal adote providências. “Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, declarou.
Ainda sobre a atuação da PF, acrescentou: “Não quero proteção, quero correção. Seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram. Eu disse para ele [Lula] que era muito ruim que a Polícia Federal transformasse uma investigação em espetacularização. Aí, quem tem que cuidar disso é o ministro da Justiça, o chefe da Polícia Federal ou o próprio ministro André Mendonça.”
Jaques Wagner também rebateu suspeitas de que teria mantido relações impróprias com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador afirmou que não possui qualquer relação comercial com o empresário e disse que o conheceu durante o processo de privatização da Cesta do Povo, na Bahia.
Questionado sobre a investigação envolvendo pagamentos do Banco Master para uma empresa da qual sua nora é sócia, Wagner afirmou que os valores foram superiores aos R$ 3,5 milhões divulgados e sustentou que todas as operações possuem respaldo contratual.

Durante a entrevista, o senador explicou a origem das moedas estrangeiras apreendidas pela Polícia Federal durante a operação. De acordo com Wagner, parte do dinheiro foi adquirida ao longo dos anos para viagens oficiais e particulares, utilizando diárias recebidas durante os mandatos como governador da Bahia e senador.
“Eu mandei ver se tinha compra. Isso é ao longo de oito, dez anos. Fui governador, também recebia diária. A pergunta deles é se eu recebi dólar de alguém. Não recebi de ninguém.”
Ao comentar a investigação, Wagner voltou a negar qualquer envolvimento com irregularidades relacionadas ao Banco Master e afirmou que a Polícia Federal tenta sustentar uma tese que, segundo ele, não conseguirá comprovar. O senador disse ainda que a operação acabou coincidindo com o discurso adotado por adversários políticos, mas negou que estivesse atribuindo motivação política aos investigadores.





