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Lula denuncia injustiças sociais no Brasil: “não estava na cultura cuidar dos pobres”

Durante a cerimônia, o presidente associou a entrega do hospital à necessidade de ampliar o acesso a serviços públicos de qualidade, especialmente nas áreas de saúde e educação. Para Lula, governar significa fazer escolhas sobre a destinação dos recursos públicos...

Lula denuncia injustiças sociais no Brasil: “não estava na cultura cuidar dos pobres”

Lula afirmou que o Brasil historicamente não tratou os mais pobres como prioridade. “Não estava na cultura desse país cuidar do povo pobre”, disse.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou, nesta quarta-feira (1º), em Alagoinhas, na Bahia, o Hospital Estadual do Litoral Norte, unidade vinculada ao Novo PAC Saúde e integrada ao programa Agora Tem Especialistas. Em discurso marcado pela defesa do SUS e de políticas públicas voltadas à população de baixa renda, Lula afirmou que o Brasil historicamente não tratou os mais pobres como prioridade. “Não estava na cultura desse país cuidar do povo pobre”, disse.

“Isso é difícil, porque não estava na cultura desse país cuidar do povo pobre. Não estava na cultura desse país cuidar dos trabalhadores”, declarou Lula, ao comparar obras de infraestrutura com o desafio de assegurar direitos sociais à maioria da população.

O hospital atenderá moradores de 34 municípios da região e foi apresentado como um reforço à regionalização da saúde na Bahia. A unidade é 100% pública, integra a Rede de Atenção às Urgências e a Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas, e oferecerá atendimento tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamento da Central de Regulação de Urgências do Samu.

O presidente também defendeu que o atendimento público deve garantir dignidade aos pacientes, independentemente de renda, origem social ou local de nascimento. “O que manda na gente é que nós somos seres humanos, homens e mulheres, pretos e brancos, nascidos nesse país e precisamos ser tratados com decência e com respeito, que todo mundo merece”, disse.

Ao abordar a dificuldade de acesso a exames e especialistas, Lula citou o exemplo de mulheres que, segundo ele, muitas vezes aguardavam meses por consultas oncológicas e mamografias. Para o presidente, a lógica do atendimento precisa ser invertida, com o Estado chegando antes à população. “Agora, não é ela que vai atrás da máquina, é a máquina que vai atrás dela”, afirmou.

Além da inauguração do hospital, a agenda incluiu a entrega de 256 veículos do programa Caminhos da Saúde, entre ambulâncias do Samu, micro-ônibus, vans e Unidades Odontológicas Móveis. Também foram entregues 29 ônibus escolares do Caminho da Escola, iniciativa voltada ao transporte de estudantes da rede pública, especialmente em áreas rurais e de difícil acesso.

No trecho mais pessoal do discurso, Lula se definiu como alguém que carrega, ao mesmo tempo, a experiência da própria origem popular e a responsabilidade do cargo que ocupa. “Eu sou o Lula de duas faces. Eu sou o Lula metalúrgico, um retirante nordestino que sabe a vida desgraçada que o povo pobre leva nesse país. E sou o Lula presidente da República”, disse.

O presidente afirmou ainda que não esqueceu sua trajetória familiar e voltou a defender a igualdade de oportunidades como eixo de sua atuação política. “Eu não esqueci de onde eu vim. E não sei e não vou esquecer para onde eu vou voltar quando eu deixar a presidência da República”, declarou.

Lula também relacionou inclusão social ao acesso à educação superior, citando o Enem, o ProUni e o Fies como instrumentos de transformação da vida de famílias pobres. “A única coisa que eu quero é dar a todos, independentemente de ser alto ou baixo, rico ou pobre, preto ou branco, igualdade de oportunidades”, afirmou. Em seguida, completou: “Eu quero que a filha da empregada doméstica possa ter a mesma chance de disputar uma vaga no Enem que o filho da patroa dela.”

Ao mencionar políticas educacionais, o presidente disse que a expansão do ensino superior permitiu que jovens de baixa renda chegassem a profissões antes restritas a grupos mais privilegiados. Segundo Lula, uma das maiores recompensas de governar é ouvir relatos de mães que viram seus filhos se formarem em medicina por meio do ProUni ou do Fies.

“Não tem nada mais orgulhoso do que isso. Porque o que a mãe de vocês querem é que vocês estudem. A mãe de vocês não quer deixar fortuna, ela quer deixar educação”, afirmou.

O presidente também citou a criação da Farmácia Popular e do Mais Médicos ao defender políticas que garantam atendimento contínuo e reduzam desigualdades no acesso à saúde. Para Lula, a demora por especialistas e exames historicamente agravou o sofrimento da população mais pobre. “Somos nós que temos que ir atrás do povo. Não é o povo que tem que vir atrás da gente”, disse.