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Flávio Bolsonaro diz nos EUA que tarifaço ajuda Lula e que agora é o “pior momento” para adotá-lo

“O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão”, declarou.

Flávio Bolsonaro diz nos EUA que tarifaço ajuda Lula e que agora é o “pior momento” para adotá-lo

“Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir. Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negociar”, afirmou.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, discursou em inglês em audiência pública nos Estados Unidos nesta terça-feira (7) e pediu o cancelamento do novo tarifaço contra produtos brasileiros. Ele compareceu acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro, que mora no país.

A participação ocorreu em audiência do USTR, o Escritório de Comércio dos Estados Unidos, que investiga o Brasil por supostas práticas desleais sob a Seção 301. O órgão sugeriu uma tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros após analisar temas como Pix, big techs, desmatamento ilegal e corrupção.

 Flávio afirmou que o Brasil terá eleições presidenciais em outubro e disse que a aplicação imediata das tarifas poderia beneficiar o presidente Lula (PT) e os alvos das medidas. “O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão”, declarou.

O senador classificou a possível cobrança como inoportuna e pediu que os Estados Unidos mantenham a relação comercial com o Brasil. “Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir. Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negociar”, afirmou.

O prazo para os Estados Unidos decidirem se aplicarão tarifas adicionais sobre produtos brasileiros termina em 15 de julho. Em outro trecho, Flávio disse que novas tarifas não seriam o meio adequado para pressionar o Brasil e citou “grandes chances” de mudança no governo brasileiro em janeiro.

“Esperamos que o governo brasileiro possa mudar a partir do ano que vem, em janeiro. O que posso dizer é que há uma grande chance de o Brasil ter um presidente que não seja antiamericano, como o que existe hoje”, disse o senador.

O governo brasileiro apresentou neste mês uma resposta formal à conclusão da investigação dos Estados Unidos sobre a proposta de tarifaço. O governo estadunidense acusou o Brasil de adotar práticas “irrazoáveis” que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.

O chanceler Mauro Vieira. Foto: Divulgação

Durante a audiência, Flávio também criticou o presidente Lula e falou sobre corrupção. “A corrupção é um dos maiores desafios enfrentados pelo povo brasileiro. Não há discordância quanto a isso. Mas a corrupção tem responsáveis identificáveis”, disse, antes de citar casos como o Mensalão, a Lava Jato, a fraude envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social e o caso Master.

Ao mencionar o Banco Master, Flávio não citou sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O senador é aliado e amigo de Vorcaro, que virou personagem central de investigações envolvendo o banco. A omissão ocorreu tanto na audiência quanto nos comentários enviados por escrito à autoridade estadunidense.

O senador também defendeu o Pix e atribuiu a criação do sistema de pagamentos instantâneos à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. “O sistema de pagamentos instantâneos do Brasil foi criado durante a administração [Jair] Bolsonaro. O PIX não é o problema; é uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao integrar milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — à economia formal. Além disso, continua beneficiando diretamente empresas americanas”, afirmou.

Flávio chegou ao segundo dia de audiência por volta das 11h, horário marcado para o início das falas, mas começou a discursar cerca de 45 minutos depois por causa da ordem de inscritos. A participação no evento era aberta a interessados que se cadastrassem previamente, e o senador enviou um pedido de comparecimento com um resumo do depoimento.

No documento enviado à autoridade estadunidense, Flávio pediu cinco minutos para falar, tempo padrão da audiência, e informou que faria a intervenção em inglês e presencialmente. Ele se apresentou como integrante do Senado Federal do Brasil, pré-candidato à Presidência e relatou ter se reunido pessoalmente com Donald Trump para tratar de temas da investigação.

O governo federal não enviou representantes para discursar em nome do Executivo, mas mandou observadores à audiência. Representantes de áreas técnicas e do setor produtivo apresentaram seus argumentos no primeiro dia de discussões sobre as tarifas.