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Após 50 anos, certidão de JK passa a atribuir morte a ditadura militar

A nova certidão registra a morte como “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”. O documento deverá ser entregue posteriormente à família de...

Após 50 anos, certidão de JK passa a atribuir morte a ditadura militar

JK morreu em 22 de agosto de 1976, aos 73 anos, quando viajava pela Via Dutra. O atestado original registrava como causa da morte o esmagamento da cabeça decorrente do acidente. Meio século depois, a nova certidão altera oficialmente esse registro e associa sua morte à perseguição política promovida pelo regime militar.

O novo texto da certidão de óbito de Juscelino Kubitschek atribui a morte do ex-presidente à ditadura militar e substitui a versão registrada em 1976, que apontava um acidente automobilístico. A apresentação do documento foi programada para esta segunda-feira (10), durante o evento “50 anos Sem JK: O Resgate da Verdade Histórica”, na Câmara Municipal de São Paulo.

A nova certidão registra a morte como “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”. O documento deverá ser entregue posteriormente à família de JK.

A mudança ocorre depois de a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovar, em maio, um relatório que concluiu que o ex-presidente foi morto pela ditadura. O colegiado rejeitou a premissa usada durante décadas para sustentar a tese de acidente e apontou que a suposta colisão de um ônibus na traseira do carro de JK não ocorreu.

A conclusão representa uma reviravolta nas investigações oficiais sobre a morte. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade havia afirmado que JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro, morreram em consequência das lesões provocadas pelo acidente e que não havia evidências de homicídio.

Outra apuração chegou a resultado diferente. Entre 2013 e 2014, a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara de São Paulo, reuniu elementos que sustentavam a ocorrência de um atentado político. A avaliação ganhou novo peso com a decisão da CEMDP em 2026.

JK morreu em 22 de agosto de 1976, aos 73 anos, quando viajava pela Via Dutra. O atestado original registrava como causa da morte o esmagamento da cabeça decorrente do acidente. Meio século depois, a nova certidão altera oficialmente esse registro e associa sua morte à perseguição política promovida pelo regime militar.