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Terremoto na Colômbia deixa mais de 250 mortos e rastro de destruição

O abalo sísmico, considerado o mais devastador a atingir a Colômbia neste século, atingiu o coração da região cafeeira do país na manhã de segunda-feira. O tremor provocou o colapso de edifícios residenciais, casas, escolas e centros de saúde, que...

Terremoto na Colômbia deixa mais de 250 mortos e rastro de destruição

Na região florestal do Pacífico, no departamento de Chocó, próximo ao epicentro do abalo, muitas comunidades indígenas permanecem sem energia elétrica ou serviços básicos, o que complica severamente os trabalhos de socorro.

Equipes de resgate escavam montanhas de escombros no oeste da Colômbia nesta quarta-feira (12), pedindo silêncio em busca de sobreviventes presos sob prédios que desabaram após um potente terremoto de magnitude 7,4 deixar ao menos 250 mortos, informa a Reuters.

O abalo sísmico, considerado o mais devastador a atingir a Colômbia neste século, atingiu o coração da região cafeeira do país na manhã de segunda-feira. O tremor provocou o colapso de edifícios residenciais, casas, escolas e centros de saúde, que ficaram rachados, inclinados ou completamente destruídos.

Relatórios separados das cidades afetadas contabilizavam 254 mortos nesta manhã. Entre as localidades mais atingidas estão Pereira, localizada no centro da zona cafeeira, com 101 mortes registradas, e Cali, a terceira maior cidade do país, com 95 mortos.

Na região florestal do Pacífico, no departamento de Chocó, próximo ao epicentro do abalo, muitas comunidades indígenas permanecem sem energia elétrica ou serviços básicos, o que complica severamente os trabalhos de socorro.

O terremoto ocorreu apenas alguns dias após a posse do novo presidente da Colômbia, Abelardo De La Espriella. O mandatário viajou para as regiões afetadas e prometeu apoio econômico às famílias que perderam suas moradias. No entanto, o novo governo, que anunciou medidas imediatas de austeridade ao assumir o poder, prepara atualmente uma revisão do orçamento de mais de US$ 180 bilhões elaborado por seus antecessores de esquerda.

Enquanto isso, a Federação Nacional dos Cafeicultores atua em campo com as famílias para avaliar os danos causados às fazendas e à infraestrutura rural, conforme informou seu presidente, Germán Bahamón, nas redes sociais.

Nas áreas urbanas, socorristas trabalharam durante a noite de segunda-feira e ao longo da terça-feira utilizando guindastes, escavadeiras e as próprias mãos. Formando correntes humanas, os voluntários e bombeiros passavam baldes cheios de entulho na esperança de localizar pessoas presas sob os escombros. Até a tarde de terça-feira, mais de 100 réplicas do terremoto já haviam sido registradas.

Entre as histórias de sobrevivência está a de Rosa González, que administrava uma pousada em Pereira. Ela relatou como conseguiu escapar ao lado do marido e do filho de apenas 10 meses. “A estrutura começou a ranger e, logo quando corremos para fora, o prédio desabou”, contou. Emocionada enquanto acariciava seu gato resgatado durante a noite, Rosa lamentou que um idoso tenha ficado preso em um terraço, temendo que ele esteja entre as vítimas fatais.

“Havia pessoas feridas, sangrando, gritando e tentando contato com as famílias”, relatou Gallego. Sem conseguir dormir, ele passou a noite em espaços abertos por medo das réplicas. “Atravessei a cidade a pé; levei duas horas e as cenas eram devastadoras. Foi como um pesadelo tornado realidade”.

Milhares de moradores ficaram desabrigados após a queda de complexos habitacionais e o aparecimento de profundas rachaduras nas residências, obrigando as famílias a aguardar avaliações de segurança ao ar livre.

Em Cali, Alberto Machado, de 34 anos, contou que o terremoto ocorreu logo após ele deixar o filho na escola. A casa da família foi destruída, forçando sua esposa, a sogra e dois filhos pequenos a passar a noite na casa de um vizinho. Machado conversou com a reportagem do lado de fora de um ginásio de esportes preparado para abrigar 60 pessoas, incluindo 30 idosos evacuados de um asilo danificado. Na mesma cidade, abrigos para cães e gatos fazem apelos por alimentos, medicamentos e trabalho voluntário.

Apesar do cenário desolador, momentos de esperança marcaram as buscas. Em Cali, moradores cozinhavam nas ruas e tentavam salvar o que restou de seus pertences. Do lado de fora do complexo residencial Torres del Limonar — um conjunto de torres de vários andares em um bairro arborizado —, equipes de resgate, voluntários civis e autoridades locais se reuniram em torno dos escombros. A multidão comemorou ruidosamente quando os socorristas retiraram uma mulher com vida dos destroços, transportada em uma maca.

No entanto, o impacto da tragédia sobrecarregou a infraestrutura local. O secretário de Saúde Pública de Cali, Germán Escobar, informou que o necrotério da cidade atingiu a capacidade máxima e que as autoridades trabalham para recolher mais corpos nas ruas.

Diante do risco de saques, o prefeito de Cali, Alejandro Eder, foi um dos gestores locais a impor toque de recolher militarizado durante a noite. Em meio à tensão, vídeos nas redes sociais mostraram o prefeito sendo hostilizado e expulso por moradores ao visitar um bairro fortemente atingido.

A situação no departamento de Chocó é ainda mais crítica. Cidades próximas ao epicentro relataram a veículos locais que ainda não receberam qualquer ajuda governamental.

“Estamos subindo em árvores para conseguir pequenos sinais de internet”, afirmou Caicedo. “Temos crianças e idosos que ainda não se recuperaram do choque… Não temos centro de saúde nem suprimentos médicos, fizemos o que podíamos com nossas próprias mãos.”

Até a tarde de terça-feira, três aeroportos permaneciam fechados no país e diversas áreas — com destaque para Chocó — continuavam sem acesso a gás, água e energia elétrica, além do bloqueio em importantes rodovias.

Paralelamente, crescem as críticas à condução da crise pelo governo central. O presidente Abelardo De La Espriella divulgou um balanço nacional por volta do meio-dia de segunda-feira e determinou que as entidades governamentais não compartilhassem dados próprios. Desde então, o governo nacional não forneceu novas atualizações oficiais, gerando confusão sobre o número exato de mortos.

Diante das falhas contínuas nas comunicações nas áreas mais afetadas, autoridades alertam que a extensão real dos danos e o balanço final de vítimas podem levar dias para serem consolidados.