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IPCA cai abaixo do teto da meta e amplia espaço para corte de juros

De janeiro a julho, o índice soma 3,44%, a menor taxa para o período desde 2022. E, em 12 meses, a inflação caiu para 4,44%, abaixo dos 4,50% que marcam o teto da banda da meta — lembrando que a...

IPCA cai abaixo do teto da meta e amplia espaço para corte de juros

O único destaque de alta relevante foi habitação, que passou de 0,63% para 0,99%. No conjunto, é uma abertura bastante favorável, com desinflação espalhada por grupos que pesam no orçamento das famílias.

O IPCA de julho, divulgado nesta manhã, subiu apenas 0,07%. O número veio um pouquinho acima do que o mercado esperava, mas segue sendo uma inflação muito baixa: depois dos 0,16% de junho, o país fecha dois meses seguidos com inflação praticamente zero. São duas leituras muito boas em sequência, o tipo de resultado que não se via há bastante tempo.

O acumulado também melhorou. De janeiro a julho, o índice soma 3,44%, a menor taxa para o período desde 2022. E, em 12 meses, a inflação caiu para 4,44%, abaixo dos 4,50% que marcam o teto da banda da meta — lembrando que a meta é de 3%, com intervalo de 1,5 ponto para cima e para baixo. Fazia tempo que o IPCA não voltava para dentro do intervalo.

Mais importante do que o número cheio é a qualidade da abertura. A deflação de alimentos e bebidas se intensificou, com queda de 0,67% no mês. Vestuário recuou 0,66%. Transportes ficaram muito próximos de zero, com variação de 0,05%. O único destaque de alta relevante foi habitação, que passou de 0,63% para 0,99%. No conjunto, é uma abertura bastante favorável, com desinflação espalhada por grupos que pesam no orçamento das famílias.

Também nesta manhã saiu a ata do Copom. A mensagem principal é que a política monetária restritiva está surtindo efeito — ou seja, o juro alto está funcionando e a desinflação em curso é, em boa medida, resultado dele.

O Copom manteve a projeção de inflação de 3,2% no horizonte relevante, que hoje aponta para o primeiro trimestre de 2028. E destacou com bastante ênfase o risco de choque de oferta — agora com o El Niño entrando, mas também com o conflito no Irã e a alta expressiva do preço do petróleo. Se esse choque contaminar o sistema de preços doméstico, os chamados efeitos secundários, o Banco Central não terá espaço para seguir cortando.

Continua em aberto o debate sobre a ancoragem das expectativas. No Focus desta segunda houve alguma melhora: a projeção de inflação já se aproxima de 5% para este ano e de 4% para o ano que vem. Vale lembrar, porém, que essas expectativas são muito voláteis — há 30 dias, a mediana para 2026 estava em 5,30% e agora caminha para 5%.

O Banco Central evidentemente leva o Focus em consideração, mas ele não é o único elemento da decisão. A autoridade monetária tem — e precisa ter — suas próprias expectativas de inflação e seu próprio modelo, sem se basear apenas no que o mercado está dizendo, até porque o mercado é bastante volátil e erra com frequência.