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Parlamentares são presos por suspeita de cobrar ‘pedágio’ do Comando Vermelho

O grupo exigiria R$ 30 mil de candidatos sem mandato e R$ 60 mil daqueles que já exerciam cargos eletivos. Em troca, a facção permitiria a realização de atividades eleitorais em áreas sob sua influência, conforme a linha investigativa.

Parlamentares são presos por suspeita de cobrar ‘pedágio’ do Comando Vermelho

Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Podemos) e Mário Vicktor (União Brasil) estão entre as sete pessoas detidas durante a ação, que investiga pagamentos exigidos de candidatos para permitir atividades de campanha em determinados bairros.

Uma operação contra a suposta interferência do Comando Vermelho (CV) nas eleições levou à prisão de três vereadores de Sobral, no Ceará, nesta terça-feira (11). Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Podemos) e Mário Vicktor (União Brasil) estão entre as sete pessoas detidas durante a ação, que investiga pagamentos exigidos de candidatos para permitir atividades de campanha em determinados bairros. As informações foram publicadas no Portal G1.

A Justiça também determinou o afastamento dos três parlamentares de seus cargos pelo prazo inicial de 180 dias. O inquérito analisa a atuação da organização criminosa nos processos eleitorais de 2024 e 2026 e aponta cobranças que variavam entre R$ 30 mil e R$ 60 mil.

A investigação sustenta que integrantes da facção tentavam interferir na escolha dos eleitores e controlar o acesso de candidatos a determinadas regiões de Sobral por meio de ameaças e coação.

O presidente da Câmara Municipal de Sobral, Chico Jóia Júnior (União Brasil), informou que ainda não havia recebido a documentação que formaliza o afastamento dos parlamentares.

A Operação Omertá cumpriu ordens judiciais expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. As autoridades determinaram 14 prisões preventivas, incluindo as dos três vereadores, além de 25 buscas e apreensões e cinco afastamentos cautelares de cargos públicos. Até a divulgação das informações sobre a operação, os responsáveis pela investigação não haviam revelado os nomes dos demais alvos.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), o Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e o Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL) conduziram a ação.

De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), os investigadores encontraram indícios de que a organização criminosa cobrava valores diferentes conforme a situação política dos candidatos.

As autoridades também apuram ameaças dirigidas a eleitores e agentes envolvidos em campanhas políticas.

Carlos Evanilson Oliveira Vasconcelos, conhecido como Carlos do Calisto, tem 62 anos, nasceu em Sobral e concentra parte de sua atuação política no distrito de Jaibaras.

O vereador trabalha como vaqueiro e declarou à Justiça Eleitoral propriedades rurais e criação de gado entre seus bens.

O político também venceu as eleições municipais de 2020 e 2016 pelo PDT. Em 2012, conquistou seu primeiro mandato na Câmara Municipal pelo PSB.

Em 2021, Carlos do Calisto assumiu a Secretaria da Conservação e dos Serviços Públicos de Sobral durante a administração do então prefeito Ivo Gomes.

Raimundo Nonato do Nascimento, conhecido politicamente como Junim do Povo, tem 50 anos e nasceu em Sobral. Nas eleições municipais de 2024, ele recebeu 1.209 votos, equivalentes a 0,99% do total, e conquistou uma cadeira na Câmara Municipal pelo Podemos.

O parlamentar conquistou 3.069 votos nas eleições de 2024, equivalentes a 2,51% do total, e garantiu mandato pelo União Brasil.

Representantes do Ministério Público e da Polícia Federal afirmaram, durante coletiva nesta terça-feira, que as autoridades abriram o inquérito em 2024. Desde então, a investigação reuniu depoimentos e outros elementos sobre a suposta interferência de integrantes de facção criminosa no processo eleitoral de Sobral.

A apuração também alcançou episódios relacionados às eleições de 2026. Segundo os investigadores, ameaças de morte e possíveis ataques contra estabelecimentos e pessoas responsáveis pela organização de compromissos políticos provocaram o cancelamento de eventos e reuniões previstos para ocorrer no município.

Entre as sete pessoas presas nesta terça-feira está uma policial militar que atuava no policiamento ostensivo. De acordo com os investigadores, ela é casada com um homem apontado como chefe de uma organização criminosa em Sobral. As autoridades também mantêm o marido sob prisão.

As investigações continuam para identificar a extensão da suposta atuação criminosa, esclarecer a participação de cada alvo e reunir elementos sobre possíveis interferências nos processos eleitorais de 2024 e 2026.