
“Me responsabilizar por uma pessoa depois de 5, 10, 15, 20 anos, vamos combinar que não está no meu controle”, afirmou.
Flávio Bolsonaro (PL) tentou minimizar sua relação com o ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega durante a sabatina do Jornal Nacional nesta sexta-feira (28). Questionado por César Tralli e Renata Vasconcellos sobre a homenagem que concedeu ao ex-PM e sobre a contratação de familiares dele em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o candidato afirmou que Adriano era, na época, um “policial exemplar” e que não poderia ser responsabilizado pelo que ele faria anos depois.
Tralli lembrou que Adriano foi apontado pelas autoridades como chefe do Escritório do Crime, grupo de matadores ligado à milícia do Rio de Janeiro, e perguntou por que Flávio Bolsonaro lhe concedeu a Medalha Tiradentes. O candidato respondeu que a homenagem ocorreu há mais de 20 anos, quando, segundo ele, o policial “não tinha feito absolutamente nada de errado”. O histórico é mais complexo: Adriano recebeu a Medalha Tiradentes por iniciativa de Flávio Bolsonaro em 2005 quando estava preso preventivamente por homicídio. Dois anos antes, o então deputado estadual já havia apresentado uma moção de louvor ao policial.
Renata Vasconcellos ampliou a cobrança ao lembrar que a mãe e a ex-mulher de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. O candidato reconheceu ter contratado Raimunda Veras Magalhães e afirmou que a conheceu por meio de movimentos de defesa de familiares de policiais. “Eu achei oportuno dar esse trabalho para ela”, disse. Flávio afirmou ainda que Raimunda “trabalhava direitinho” fazendo a interlocução entre famílias de policiais militares e seu gabinete.
A relação, porém, não ficou restrita ao período da homenagem. A mãe e a ex-mulher de Adriano permaneceram empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro até novembro de 2018. Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-mulher do policial, trabalhou no gabinete por mais de uma década. Raimunda também apareceu nas apurações sobre o antigo esquema de “rachadinha”, e dados bancários analisados pelo Ministério Público apontaram repasses dela a Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio Bolsonaro.
A investigação da rachadinha apontou ainda movimentações envolvendo contas ligadas à família de Adriano e Queiroz. As provas que sustentavam o caso, entretanto, foram posteriormente anuladas por decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, e Flávio Bolsonaro não foi condenado pelo episódio. As conexões entre Adriano, Queiroz e o antigo gabinete de Flávio Bolsonaro é bem documentada.
Na sabatina, Flávio Bolsonaro não negou a homenagem nem a contratação dos familiares, mas sustentou que esses vínculos ocorreram antes de Adriano ser associado às acusações que o tornariam conhecido nacionalmente. “Me responsabilizar por uma pessoa depois de 5, 10, 15, 20 anos, vamos combinar que não está no meu controle”, afirmou. Tralli encerrou o bloco de segurança pública perguntando também sobre Rodrigo Bacellar, preso e apontado pela Polícia Federal como liderança política de um núcleo ligado ao Comando Vermelho. Flávio classificou a acusação como “gravíssima”, mas disse que Bacellar tem direito de se defender.





