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Flávio Bolsonaro não convence ao explicar homenagem a Adriano da Nóbrega

Flavio disse que a homenagem ao matador ocorreu há mais de 20 anos, quando, segundo ele, o policial “não tinha feito absolutamente nada de errado”.

Flávio Bolsonaro não convence ao explicar homenagem a Adriano da Nóbrega

“Me responsabilizar por uma pessoa depois de 5, 10, 15, 20 anos, vamos combinar que não está no meu controle”, afirmou.

Flávio Bolsonaro (PL) tentou minimizar sua relação com o ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega durante a sabatina do Jornal Nacional nesta sexta-feira (28). Questionado por César Tralli e Renata Vasconcellos sobre a homenagem que concedeu ao ex-PM e sobre a contratação de familiares dele em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o candidato afirmou que Adriano era, na época, um “policial exemplar” e que não poderia ser responsabilizado pelo que ele faria anos depois.

Tralli lembrou que Adriano foi apontado pelas autoridades como chefe do Escritório do Crime, grupo de matadores ligado à milícia do Rio de Janeiro, e perguntou por que Flávio Bolsonaro lhe concedeu a Medalha Tiradentes. O candidato respondeu que a homenagem ocorreu há mais de 20 anos, quando, segundo ele, o policial “não tinha feito absolutamente nada de errado”. O histórico é mais complexo: Adriano recebeu a Medalha Tiradentes por iniciativa de Flávio Bolsonaro em 2005 quando estava preso preventivamente por homicídio. Dois anos antes, o então deputado estadual já havia apresentado uma moção de louvor ao policial.

Adriano havia sido preso em 2004, acusado pelo homicídio do guardador de carros Leandro dos Santos Silva. Foi condenado pelo Tribunal do Júri em 2005, conseguiu a anulação do julgamento e acabou absolvido em novo júri em 2007. Na entrevista, Flávio Bolsonaro usou essa absolvição para afirmar que o ex-PM havia sido “falsamente acusado” e perseguido. Anos depois, Adriano passou a ser investigado por outros crimes e foi apontado pelo Ministério Público do Rio como liderança do Escritório do Crime. Ele morreu em uma operação policial na Bahia em 2020, quando estava foragido.

Renata Vasconcellos ampliou a cobrança ao lembrar que a mãe e a ex-mulher de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. O candidato reconheceu ter contratado Raimunda Veras Magalhães e afirmou que a conheceu por meio de movimentos de defesa de familiares de policiais. “Eu achei oportuno dar esse trabalho para ela”, disse. Flávio afirmou ainda que Raimunda “trabalhava direitinho” fazendo a interlocução entre famílias de policiais militares e seu gabinete.

 

A relação, porém, não ficou restrita ao período da homenagem. A mãe e a ex-mulher de Adriano permaneceram empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro até novembro de 2018. Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-mulher do policial, trabalhou no gabinete por mais de uma década. Raimunda também apareceu nas apurações sobre o antigo esquema de “rachadinha”, e dados bancários analisados pelo Ministério Público apontaram repasses dela a Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio Bolsonaro.

A investigação da rachadinha apontou ainda movimentações envolvendo contas ligadas à família de Adriano e Queiroz. As provas que sustentavam o caso, entretanto, foram posteriormente anuladas por decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, e Flávio Bolsonaro não foi condenado pelo episódio. As conexões entre Adriano, Queiroz e o antigo gabinete de Flávio Bolsonaro é bem documentada.

Na sabatina, Flávio Bolsonaro não negou a homenagem nem a contratação dos familiares, mas sustentou que esses vínculos ocorreram antes de Adriano ser associado às acusações que o tornariam conhecido nacionalmente. “Me responsabilizar por uma pessoa depois de 5, 10, 15, 20 anos, vamos combinar que não está no meu controle”, afirmou. Tralli encerrou o bloco de segurança pública perguntando também sobre Rodrigo Bacellar, preso e apontado pela Polícia Federal como liderança política de um núcleo ligado ao Comando Vermelho. Flávio classificou a acusação como “gravíssima”, mas disse que Bacellar tem direito de se defender.