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Rússia testa míssil nuclear intercontinental em meio à tensão com a Otan

O míssil foi lançado do cosmódromo de Plesetsk, no norte da Rússia, próximo à região do Ártico. Após percorrer aproximadamente 6.700 quilômetros sobre território russo, o RS-24 atingiu o campo de testes de Kura, na península de Kamtchatka, no extremo...

Rússia testa míssil nuclear intercontinental em meio à tensão com a Otan

De acordo com o Ministério da Defesa russo, as ogivas múltiplas usadas no exercício, sem carga nuclear, alcançaram com sucesso o alvo programado.

 Rússia realizou nesta sexta-feira (28) um teste com o míssil balístico intercontinental RS-24 Iars, uma das principais armas de sua força nuclear estratégica, em um momento de aumento das tensões entre Moscou e integrantes da Otan em torno da guerra na Ucrânia.

O míssil foi lançado do cosmódromo de Plesetsk, no norte da Rússia, próximo à região do Ártico. Após percorrer aproximadamente 6.700 quilômetros sobre território russo, o RS-24 atingiu o campo de testes de Kura, na península de Kamtchatka, no extremo leste do país.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, as ogivas múltiplas usadas no exercício, sem carga nuclear, alcançaram com sucesso o alvo programado.

O RS-24 Iars é um dos modelos mais utilizados entre os mísseis balísticos intercontinentais russos. A arma pode ser instalada em silos subterrâneos ou transportada em lançadores móveis.

A capacidade de deslocamento é uma de suas principais características militares, pois torna mais difícil localizar e destruir os lançadores antes de um eventual disparo.

O sistema pode transportar até três ogivas nucleares. Cada uma delas pode atingir potência estimada em 200 quilotons, equivalente a aproximadamente 15 vezes a energia liberada pela bomba atômica lançada sobre Hiroshima em 1945.

Na segunda-feira (24), o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, esteve em Kiev para acompanhar as comemorações do Dia da Independência da Ucrânia ao lado do presidente Volodimir Zelenski.

Durante a visita, Burnham prometeu facilitar a transferência de tecnologia que permitiria aos ucranianos fabricar mísseis de cruzeiro Storm Shadow.

O Reino Unido e a França já forneceram unidades desse tipo de armamento a Kiev. Até agora, porém, os Storm Shadow foram empregados principalmente contra posições russas em territórios ucranianos ocupados, sem utilização em larga escala contra alvos considerados sensíveis dentro da Rússia.

A resposta do Kremlin foi afirmar que instalações da indústria militar britânica ligadas à produção ou ao fornecimento desses armamentos podem ser consideradas alvos legítimos, estejam elas no Reino Unido ou em território ucraniano.

Uma ameaça semelhante já havia sido feita por Moscou em 2024, em meio às discussões no Ocidente sobre os limites para o emprego de armas de longo alcance fornecidas à Ucrânia.

O aumento das tensões envolve também os Estados Bálticos, integrantes da Otan que fazem fronteira ou estão geograficamente próximos da Rússia e manifestam receio de eventuais operações russas em seus territórios.

A Alemanha, no entanto, prepara-se para atribuir à Rússia responsabilidade por um episódio envolvendo drones com explosivos encontrados perto de uma aeronave que transportava armas destinadas à Ucrânia, em Leipzig.

O lançamento do RS-24 Iars ocorre nesse ambiente de desconfiança crescente e reforça a demonstração pública da capacidade nuclear estratégica de Moscou.

A Rússia possui o maior estoque de armas nucleares do planeta, seguida de perto pelos Estados Unidos. O arsenal russo supera 5.400 armas, segundo os números citados pela Folha.

Rússia e Estados Unidos apresentam capacidades nucleares comparáveis, embora Moscou mantenha uma variedade maior de plataformas para lançamento e emprego dessas armas.

O Reino Unido, por sua vez, possui o quinto maior arsenal nuclear mundial, com cerca de 225 ogivas. O sistema britânico está concentrado em mísseis Trident transportados por submarinos.