
Flávio Bolsonaro viajou com a mulher e as duas filhas no mesmo jatinho ligado a Daniel Vorcaro que, sete meses depois, transportou o ministro Alexandre de Moraes
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou com a mulher e as duas filhas no mesmo jatinho ligado a Daniel Vorcaro que, sete meses depois, transportou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A aeronave é o Legacy 650 de prefixo PP-NLR, que ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo de Moraes e da mulher, Viviane Barci, desembarcando no Rio de Janeiro. A identificação do avião usado pelo candidato à Presidência foi feita pela revista Piauí.
O voo de Flávio Bolsonaro ocorreu em 19 de janeiro de 2025, de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília. O senador estava acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, das duas filhas e do amigo Willer Tomaz, advogado e empresário investigado no caso das fraudes do INSS.
O mesmo PP-NLR apareceu no centro da crise envolvendo Moraes depois que um vídeo mostrou o ministro e Viviane Barci desembarcando da aeronave em agosto de 2025. Após a divulgação das imagens, Flávio Bolsonaro atacou o magistrado nas redes sociais e acusou Moraes de integrar uma “máfia”. Sua campanha chegou a avaliar o uso do vídeo no horário eleitoral. A nova revelação mostra que o próprio senador havia viajado naquele mesmo avião meses antes.

A viagem de Flávio Bolsonaro ocorreu ainda em meio às negociações para o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro bancada por Vorcaro. O cronograma previa um aporte de US$ 2 milhões em 20 de janeiro de 2025, um dia depois do desembarque do senador em Brasília, e outros US$ 2 milhões cinco dias mais tarde. No dia seguinte ao voo, Flávio Bolsonaro escreveu ao intermediário Thiago Miranda pedindo que desse “um gás na resposta do jurídico do investidor”. Miranda repassou a cobrança a Vorcaro, afirmando que havia chegado a data-limite do primeiro aporte.
A coincidência temporal não demonstra que o voo tenha sido pago por Vorcaro nem estabelece contrapartida entre a viagem e o financiamento do filme. A primeira parcela de US$ 2 milhões só foi transferida em 13 de fevereiro, segundo os documentos. A Polícia Federal investiga o percurso dos recursos enviados para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, e tenta determinar se todo o dinheiro foi destinado à produção ou se parte teve outro beneficiário.
Willer Tomaz já havia aparecido ao lado de Flávio Bolsonaro em viagens internacionais feitas com aeronaves operadas pela Prime You. À Piauí, ele confirmou que possuía um terço da sociedade proprietária do PP-NLR e afirmou que oferecia “carona” a amigos quando havia lugares disponíveis, sem cobrança ou contrapartida. Disse também ter descoberto apenas em abril de 2026 que Vorcaro havia adquirido participação na aeronave e que rompeu o contrato após tomar conhecimento disso. Tomaz, porém, não esclareceu se Flávio Bolsonaro e sua família estavam naquele voo como convidados seus.





