
. Newton Ramos aparece nas mensagens tratando de pedidos pessoais a Vorcaro e aliados, como ingressos para a Fórmula 1, shows em hotéis de luxo, camarotes no Carnaval do Rio e hospedagens em hotéis cinco estrelas.
Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) consideram praticamente certa a abertura de uma investigação sobre o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), segundo a coluna de Bela Megale no jornal O Globo. Arquivos e mensagens extraídos pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro o identificam como integrante da chamada “Turma KN”, referência às iniciais do ministro Kassio Nunes Marques.
O corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, avalia instaurar um processo de correição para apurar possíveis irregularidades e condutas inadequadas de Ramos. O corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Mauro Campbell, também deve abrir investigação administrativa, pois tem competência sobre a Justiça Federal.
Magistrados de cortes superiores avaliam que a apuração pode alcançar diretamente Nunes Marques. O ministro integra o STF e é citado nas mensagens por meio da expressão usada para descrever o grupo ao qual Newton Ramos estaria associado.
As conversas indicam que Vorcaro contratou o escritório de advocacia de Camilla Ramos, esposa do desembargador, para atuar em processos de interesse do Banco Master. Newton Ramos aparece nas mensagens tratando de pedidos pessoais a Vorcaro e aliados, como ingressos para a Fórmula 1, shows em hotéis de luxo, camarotes no Carnaval do Rio e hospedagens em hotéis cinco estrelas.

Um arquivo encontrado no celular de Vorcaro aponta que o escritório de Camilla Ramos firmou contrato com o Banco Master que previa honorários de 5% sobre o benefício econômico bruto em ações ligadas a precatórios do setor sucroalcooleiro. O documento estimou os créditos em R$ 8,5 bilhões, o que poderia levar a remuneração de cerca de R$ 427 milhões caso o percentual incidisse sobre esse valor.
Em junho de 2025, Camilla Ramos acompanhou um julgamento no STF relacionado aos créditos e escreveu a Vorcaro que a manifestação de Nunes Marques no caso havia sido “excelente”. A conversa tratava de processo envolvendo os precatórios que constavam do contrato de honorários.
Em nota, Nunes Marques afirmou que “nunca votou a favor de Vorcaro do Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro e nem pediu nada a ele”. O ministro também declarou que nunca autorizou outra pessoa a falar em seu nome.
O escritório de Camilla Ramos disse que atuou em defesa do Banco Master “regularmente, dentro dos limites legais e mediante a devida habilitação nos respectivos processos”. Newton Ramos afirmou que sua relação com Vorcaro era pessoal e anterior aos fatos investigados, negou vínculo entre pedidos privados e sua função pública e disse: “nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master”.





