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Revista Piauí revela proximidade entre Daniel Vorcaro e o ministro Kassio Nunes Marques

Segundo a reportagem, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), intermediou encontros de Vorcaro com um “amigo”, em referência que as mensagens analisadas associam a Nunes Marques

Revista Piauí revela proximidade entre Daniel Vorcaro e o ministro Kassio Nunes Marques

Em 17 de junho de 2024, Ramos enviou ao banqueiro os contatos salvos como “Kassio Marques” e “Kevin Marques”, filho do ministro.

Reportagem da revista piauí, publicada nesta sexta-feira, 23, relata que reuniões entre o banqueiro Daniel Vorcaro, pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes Marques e pagamentos a uma consultoria ligada ao filho do magistrado ocorreram antes de um voto favorável aos interesses do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro nega ter pedido ou recebido favores e afirma que nunca votou a favor de Vorcaro.

Segundo a reportagem, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), intermediou encontros de Vorcaro com um “amigo”, em referência que as mensagens analisadas associam a Nunes Marques. Em 17 de junho de 2024, Ramos enviou ao banqueiro os contatos salvos como “Kassio Marques” e “Kevin Marques”, filho do ministro.

Kevin declarou que nunca prestou serviços ao Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro. Ele disse que os valores recebidos da Consult remuneraram serviços jurídicos especializados, pagos em dez parcelas e sem relação com clientes da empresa.

Kevin Marques, filho de Kássio Nunes Marques. Foto: Reprodução

Os encontros e transferências ocorreram durante o julgamento do caso da Destilaria Alcídia na Segunda Turma do STF. O processo discutia indenização à usina por uma política de tabelamento de preços do setor sucroalcooleiro nos anos 1980, tema que poderia afetar a carteira de precatórios adquirida pelo Master.

Em outubro daquele ano, o ministro votou a favor da Destilaria Alcídia e desempatou o julgamento em 3 a 2. Após o resultado, Vorcaro enviou a um contato identificado como “Diretor Paulo Sergio Bacen” a mensagem: “Ganhamos STF!”. Nunes Marques sustenta que a Segunda Turma reconheceu por unanimidade a inexistência de impedimento e que o caso não tratava do Master.

A reportagem também descreve pedidos de hospedagem, viagens, ingressos e outros benefícios feitos por Newton Ramos a Vorcaro, alguns em nome do “amigo”. Ramos afirmou que suas conversas com o banqueiro tinham caráter privado, sem vínculo com a atividade jurisdicional, e disse que a lei o impede de atuar em causas patrocinadas pelo escritório de sua mulher e de seu filho.

Camilla Ramos, mulher do desembargador, e o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos confirmaram contrato profissional com o Master desde 2024. A banca declarou que não atuou no processo da Destilaria Alcídia, que Newton Ramos não integrava os colegiados das ações no TRF1 e que ainda não recebeu honorários de êxito.

Em setembro, o corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, cancelou R$ 4,7 bilhões em requisições de pagamento de usinas cujos precatórios interessavam ao Master. Newton Ramos entrou na mira da Corregedoria e segue no cargo. Nunes Marques preside o Tribunal Superior Eleitoral e relata no STF um pedido de instalação da CPI do Master, que aguarda despacho desde março.