
Os dados da FGV indicam que 60,68% dos beneficiários do Bolsa Família em 2014 já haviam deixado o programa até 2025. A taxa de saída foi ainda mais elevada entre os adolescentes da época, com 68,8% na faixa de 11 a 14 anos e 71,25% na faixa de 15 a 17 anos.
O apresentador, empresário e eterno presidenciável Luciano Huck, criticou o programa Bolsa Família durante sua participação no Fórum Esfera, realizado no Guarujá (SP).
Huck argumentou que o benefício não cria incentivos eficazes para que os beneficiários deixem a política social, levando-os a buscar “atalhos para se manter no programa”.
Segundo ele, o país é “muito ineficiente em todas as frentes. O prefeito da cidade de Senhor do Bonfim [na Bahia] tem 56% da sua economia no Bolsa Família. O que acontece? Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas criam um monte de atalhos para conseguir ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad aeternum. A gente precisa criar um estímulo”, declarou.
“Como é que você sai? Como é que você motiva a família que precisa, necessita do Bolsa Família, tenha vontade de querer sair desse programa e de ter mobilidade social no Brasil? Você pega um estudo da OCDE… Uma família no Brasil, para sair da base da pirâmide social e chegar à média da classe média brasileira, leva nove gerações. Nove gerações! Quer dizer que você não tem esperança de que nem o seu filho, nem o seu neto, nem o seu bisneto vai ter uma vida melhor que a sua. Você fica sem estímulo”.
Ao abordar a economia, o apresentador redefiniu o que considera o “verdadeiro tripé econômico” do país: “Uber, bolo de pote e venda de cosméticos”. Segundo ele, essas atividades representam o “empreendedorismo da exaustão”, onde “as famílias querem empreender para parar de sofrer”.
Huck ressaltou a importância de “jogar com as duas pernas”, referindo-se à chamada “polarização”.
Os números do Bolsa Família
As declarações de Huck sobre a falta de incentivos para a saída do Bolsa Família contrastam com os resultados de um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de dezembro, que revela uma quebra no ciclo da pobreza intergeracional promovida pelo programa.
Os dados da FGV indicam que 60,68% dos beneficiários do Bolsa Família em 2014 já haviam deixado o programa até 2025. A taxa de saída foi ainda mais elevada entre os adolescentes da época, com 68,8% na faixa de 11 a 14 anos e 71,25% na faixa de 15 a 17 anos.
O estudo também observou uma saída expressiva do Cadastro Único (CadÚnico) e um aumento na inserção no mercado formal de trabalho. A saída do programa é favorecida quando o beneficiário possui carteira assinada (taxa de saída de 79,4%) e entre filhos de pais com maiores níveis de escolaridade.
Garoto-propaganda de empresa do Master
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro mencionou, em mensagens trocadas com sua ex-namorada Martha Graeff, que participou de um jantar com o apresentador Luciano Huck. A conversa vazada ocorreu em 28 de outubro de 2024, período em que o Banco Master já apresentava sinais de problemas de liquidez. Vorcaro informou que estava saindo do banco para se encontrar com Huck e perguntou sobre o trabalho de Martha, que atua como influenciadora.
Luciano Huck havia sido garoto-propaganda do Will Bank, instituição controlada pelo Master. Além disso, o apresentador contou com um quadro patrocinado pelo Master em seu programa dominical “Domingão com Huck”.





