
Flávio já exercia o mandato de senador quando assinou, em 2024, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que encaminhou o policial ao Tribunal do Júri.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi advogado do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Relembrado pelo ex-deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ), o caso voltou a ganhar repercussão nesta quarta-feira (30), com o lançamento de um episódio da série “Revelando”, apresentado pela atriz Camila Pitanga.
Flávio já exercia o mandato de senador quando assinou, em 2024, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que encaminhou o policial ao Tribunal do Júri. O pedido foi negado. A atuação do parlamentar na defesa do acusado e a espera da família pelo julgamento são os assuntos centrais de “O Julgamento que Nunca Aconteceu”.
“Ana Clara Gomes Machado tinha cinco anos e dizia querer ser igual a mãe quando crescesse. Na manhã de 2 de fevereiro de 2021, ela brincava na porta de casa e foi atingida por quatro tiros de fuzil, disparados por um um policial militar no Rio de Janeiro”, conta Camila Pitanga no vídeo.
“O caso ficou sem julgamento durante 5 anos. Quando a família achou que iria ter justiça, um novo advogado entrou no caso, e o policial não foi para julgamento até hoje. Esse advogado era o então Senador, hoje candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.”
A participação de Flávio na defesa de policiais acusados de homicídio também aparece em outro processo. O senador assinou um recurso ao STJ em favor de quatro PMs acusados pelo MPRJ de matar quatro homens em uma emboscada no Morro do Vidigal, em 16 de janeiro de 2020. Nesse caso, a defesa também tentou reverter o encaminhamento dos réus ao Tribunal do Júri.
A produção questiona por que um senador decidiu integrar a defesa do policial preso pela morte da menina: “Qual era a intenção de um senador em defender o homem preso em flagrante pela morte de uma criança?”.

A acusação afirma que o policial disparou em direção a uma área residencial e de lazer, assumindo o risco de matar. Pessoas que estavam no local tentaram interromper os tiros, alertando que havia moradores na direção dos disparos. De acordo com a promotoria, Delaroli continuou atirando mesmo depois dos avisos.
Os autos também registram relatos sobre o comportamento dos agentes depois que a criança foi baleada. Um colega de Delaroli, descrito como muito nervoso, repetia ao cabo: “Olha a merda que você fez”. Testemunhas afirmaram que os policiais demoraram a prestar socorro e só atenderam a menina após pedidos de moradores e familiares.
Na defesa, o PM afirmou que reagiu a uma agressão de traficantes armados. O Ministério Público contestou essa versão com base em depoimentos de testemunhas que negaram a ocorrência de troca de tiros e disseram que não havia atividade de tráfico de drogas naquele local.
A promotoria também apontou que a viatura não apresentava sinais de confronto. A perícia recolheu na cena do crime estojos de munição iguais aos utilizados por Delaroli, segundo a reportagem sobre a denúncia. No episódio apresentado por Camila Pitanga, o delegado que esteve no local afirma não ter dúvidas de que o cabo foi o autor dos disparos.
Delaroli foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. Em novembro de 2021, a Justiça revogou a prisão e estabeleceu medidas cautelares, permitindo que ele respondesse ao processo em liberdade. Posteriormente, a Justiça fluminense determinou que o policial fosse julgado pelo Tribunal do Júri por homicídio doloso.
Foi contra o encaminhamento ao júri que a defesa apresentou o recurso assinado por Flávio. O nome do senador aparece ao lado dos advogados Paulo e Isabela Klein, Felipe Azeredo e Bruno Giusto. Entre os integrantes da defesa estava Paulo Márcio Ennes Klein, que também atuou para Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio investigado no caso das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O ex-deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) retomou o episódio em um vídeo publicado na quarta-feira (23). Ele criticou a assinatura das petições e acusou o parlamentar de usar sua posição para defender o acusado e tentar impedir que ele fosse submetido ao julgamento popular.
No mesmo vídeo, Freixo perguntou se Flávio havia procurado os familiares de Ana Clara. Também cobrou explicações sobre a escolha de atuar para o policial acusado pela morte da criança. “Você, Flávio, usa seu poder político para defender este assassino e faz de tudo para que esse júri não acontecesse, para que ele não responda pelo assassinato de uma criança de 5 anos de idade”, afirmou.





