
“Não quero isentar de responsabilidade quem tem, mas me parece que você coloca o tribunal num corredor polonês”, afirmou.
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a crise envolvendo o Banco Master não deve ser atribuída à Corte, mas ao sistema financeiro e aos órgãos de fiscalização. “A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima”, disse.
A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo, na qual Gilmar comentou a associação do STF ao caso após a revelação de ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O ministro também disse que a relação de integrantes do STF com Vorcaro “certamente está sendo investigada” e que as autoridades “devem fazê-lo, estão fazendo”.
“Quem vendeu títulos foram os bancos”, disse o ministro, ao defender que o caso deve ser analisado a partir do funcionamento do mercado financeiro.
O ministro também comentou a proposta de criação de um código de ética para o STF, defendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Para Gilmar, a iniciativa foi apresentada em momento inadequado.
“O código de ética gerou um ambiente de certa desinteligência, porque pareceu lançado num momento de vulnerabilidade de alguns colegas”, afirmou. Ele disse não imputar essa intenção a Fachin, mas avaliou que a medida foi “imprópria”.
Gilmar também defendeu que eventuais mudanças sejam feitas por consenso e lembrou que a atuação pública de ministros foi relevante durante o governo Bolsonaro.
Questionado sobre críticas ao Fórum de Lisboa, evento que organiza em Portugal e que ficou conhecido como “Gilmarpalooza”, o ministro defendeu sua realização. Segundo ele, a edição atual terá mais de 470 palestrantes.
Sobre a presença de empresários e autoridades posteriormente investigados em eventos paralelos, Gilmar afirmou: “Não temos nenhum controle sobre isso”. Ele acrescentou que algumas pessoas aproveitam a ocasião para atividades fora do fórum, o que, segundo ele, “não nos diz respeito”.
Gilmar também avaliou a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no STF. Para o ministro, a derrota não ocorreu por falta de qualificação, mas por razões políticas.
O ministro ainda defendeu a manutenção do inquérito das fake news enquanto persistir o ambiente de radicalização política. “Mantido o ambiente de radicalismo, e tudo indica que vai ser mantido, dado o acirramento eleitoral, o inquérito das fake news é necessário”, afirmou.
Gilmar também criticou a CPI do Crime Organizado, que, segundo ele, acabou mirando ministros do STF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em vez de se concentrar no PCC e em outras organizações criminosas.





